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Dança, cura e superação de limites

Com 50 artistas não profissionais, que não seguem o estereótipo dos bailarinos, a peça Correm as cidades nos quatro cantos do mundo trata da rotina intensa dos centros urbanos

setembro de 2014
Divulgação

Aos 28 anos, a psiquiatra Cláudia Melcop começou a sofrer os sintomas de uma inflamação no sistema nervoso central. Chegou a consultar diferentes neurologistas no Brasil e nos Estados Unidos, que suspeitaram de várias patologias relacionadas à desintegração da bainha de mielina dos neurônios, como a esclerose múltipla, mas seu diagnóstico nunca foi fechado. De um dos médicos, ouviu que não recuperaria os movimentos já perdidos com a doença nem poderia voltar a dançar, atividade que a psiquiatra mantinha desde a infância. No entanto, entre períodos de melhora e agravamento dos sintomas motores, ela continuou participando de projetos relacionados à dança e hoje, aos 33 anos, faz parte do elenco de Correm as cidades nos quatro cantos do mundo, espetáculo do grupo de dança Chega de Saudade, que será apresentado em setembro no Teatro Tuca, em São Paulo.

“A minha melhora foi gigantesca. Voltei a dançar, do meu jeito um tanto descompassado, mas foi possível. Voltei a realizar movimentos que não conseguia, como descer escadas sem apoio, andar com maior rapidez e dar pequenos pulos. Ganhei maior equilíbrio. A dança me permitiu conhecer meu novo corpo, minhas limitações, lidar com elas e fazer delas algo superável”, diz Cláudia, convidada a participar do grupo pelo coreógrafo e educador Rubens Oliveira, diretor do espetáculo, junto com o psicanalista e roteirista Sérgio Ignácio. Os dois já participaram de projetos do coreó-grafo e terapeuta corporal Ivaldo Ber-tazzo.    

Com 50 bailarinos não profissionais entre 19 e 53 anos, Correm as cidades trata da rotina de intenso deslocamento nos grandes centros urbanos. Segundo Ignácio, os movimentos coreografados ajudam a exercitar habilidades cognitivas como a atenção e a visão espacial. Além disso, há o prazer associado à música e à sensação de superar limites. “Melhora da autoestima, da capacidade de trabalho coletivo, da organização individual, da qualidade do sono e redução de peso foram algumas das conquistas que declararam no final do projeto”, diz Ignácio.

Correm as cidades nos quatro cantos do mundo. Teatro Tuca. Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes, São Paulo. 9, 10,16 e 17 de setembro, às 21h. Informações: (11) 3670-8455. R$ 40,00.

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