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De volta para casa

setembro de 2008
MARIA TUCA FANCHIN
Ao se abrirem as portas da instituição psiquiátrica, o primeiro destino do paciente é a família, nem sempre preparada para receber esse sujeito ainda tão fragilizado. O delicado processo da volta do doente mental ao grupo familiar é tema central do espetáculo Algumas vozes, do premiado dramaturgo inglês Joe Penhall, que o grupo teatral Cia. do Ator Careca, dirigido por Mônica Granndo, encena em São Paulo.

Depois de anos de internação, Ray, com diagnóstico de esquizofrenia, deixa o hospital e é acolhido pelo irmão superprotetor, Pete. A relação fraterna e as medicações lhe garantem a lucidez necessária a sua reinserção social, até o momento em que é confrontado com uma situação que incide dramaticamente sobre sua frágil estabilidade emocional. Sem o medicamento, Ray dispensa também o afeto do irmão e entra em surto, invadido por vozes que o atormentam. Despreparado para lidar com a situação, Pete vê seu cotidiano alterado e a tensão na relação com o irmão aumentar.

O espetáculo propõe questões fundamentais para os profissionais da saúde mental: o papel da família na reintegração e recuperação emocional dos egressos de hospitais psiquiátricos, e a importância do amparo social e profissional para que os parentes possam acolher e cuidar dessas pessoas.

O movimento de humanização hospitalar seguido das propostas terapêuticas multidisciplinares, iniciado nos anos 60 com o psiquiatra italiano Franco Basaglia, tornou-se referência mundial no tratamento das doenças mentais. Desde então, foram criados atendimentos emergenciais psiquiátricos em hospital geral, cooperativas de trabalho protegido, serviços comunitários e moradias assistidas.