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Depressão faz enxergar com mais clareza os defeitos alheios

Personalidade e humor influenciam na forma como avaliamos outras pessoas

abril de 2011
© sukhonosova anastásia/shutterstock
Há mais de um século Sigmund Freud já constatou que pessoas deprimidas têm maior acuidade em relação à realidade e, justamente por isso, tendem julgar os outros de forma mais dura – e em geral verdadeira. Mas só agora pesquisadores estão (mais uma vez, aliás) comprovando cientificamente que o criador da psicanálise tinha razão também nessa afirmação. Recentemente, o professor de psicologia Dustin Wood, da Universidade Wake Forest, em parceria com pesquisadores da Universidade de Nebraska e da Universidade de Washington em St. Louis, avaliou como características de personalidade e humor de estudantes universitários influenciavam na avaliação de seus colegas. Em geral, os mais reclusos, introspectivos e com tendência à depressão percebiam com maior clareza tendências, comportamentos e intenções dissimulados naqueles que os cercavam. Já os que se mostraram mais inclinados a avaliar positivamente os outros, conferindo-lhes características como confiáveis, agradáveis e equilibrados, relataram – pelo menos naquele momento – maior satisfação com a própria vida, melhor desempenho escolar e eram mais bem vistos pelos demais, sendo considerados estáveis e mais preocupados com questões coletivas. Quando questionados mais a fundo, porém, apresentavam argumentos superficiais para seus julgamentos. Outro fato observado no estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology foi que as mulheres apresentaram maior probabilidade que os homens de qualificar positivamente os colegas. Embora a causa não tenha sido estudada, é bastante provável que elas sejam pressionadas socialmente a serem gentis.


Naturalmente, aqueles que emitiam opiniões assertivas sobre defeitos alheios irritavam seus pares, o que alimentava um círculo vicioso: eles eram, frequentemente, tachados de desagradáveis, antissociais e narcisistas. Segundo Wood, o mais surpreendente foi constatar que essas percepções mudaram pouco, mesmo um ano depois. “A estabilidade dessas tendências significa que podem agir consistentemente como uma lente que escurece ou clareia sua forma de julgar as pessoas e, por isso, pode ser difícil alterar a opinião sobre os outros”, afirma o psicólogo.