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Despindo rótulos

Ensaios fotográficos do coletivo Além questionam padrões de beleza, definições de gênero e tabus em relação ao corpo

julho de 2014
Divulgação

Gabriela, de 20 anos, estudante de filosofia na Universidade de São Paulo (USP): “Existem várias maneiras de ser mulher. Com as transexuais acontece isso também”. Em outro ensaio, Além do nu, corpos aparecem em contextos cotidianos – a intenção é mostrar sua naturalidade; e, contra pressões da cultura e da indústria cosmética, projeto Pelos pelos reflete sobre a depilação feminina. Confira no site do coletivo.

Uma mulher “feminina” depila pernas, axilas e virilha. Ninguém é realmente feliz vivendo um relacionamento aberto. Gênero e sexo são a mesma coisa. Você concorda com essas afirmações? Se sim, certamente pensa de acordo com os padrões de nossa cultura. Aprendemos desde cedo que amar significa manter um relacionamento monogâmico com uma pessoa do sexo oposto. Que quem nasce com genitais masculinos não deve usar saias nem maquiagem. Que corpos nus causam constrangimento. Essas e outras ideias preconcebidas são colocadas à prova com ousadia e delicadeza pelo coletivo Além, grupo de arte político-poética que produz ensaios fotográficos sobre aceitação da diversidade. 

O projeto surgiu de discussões em um grupo do Facebook em 2013, quando os fotógrafos Nubia Abe e Mateus Lima, que até então mantinham as carreiras oficiais de publicitária e fonoaudiólogo, se conheceram e decidiram trabalhar juntos. O primeiro ensaio, Pelos pelos, é uma reflexão sobre a naturalidade dos pelos em nossos corpos. Divulgada na internet (www.alem.art.br), a série, que traz, além das fotografias, depoimentos de homens e mulheres muito à vontade por não se depilarem, não raro causa reações furiosas em usuários: “nojento” e “estranho” são adjetivos frequentes em comentários sobre o trabalho nas redes sociais. “Tenho uma relação muito saudável com meus pelos. Acho que tudo bem eles estarem lá, fazem parte de mim. Quando eu era mais nova eu acreditava no que a sociedade diz, que eu não podia ter pelos, mas depois eu comecei a gostar mais deles e tentei ir um pouco contra”, diz Cláudia, de 24 anos, uma das fotografadas. 

Outro trabalho polêmico, Além do gênero, discute estereótipos sobre travestis e transexuais. “São pessoas, com personalidades, sonhos e histórias de vida diversas e ricas”, descrevem os autores. Uma delas é Gabriela, estudante do curso de filosofia da Universidade de São Paulo (USP). “Comecei a prestar mais atenção no meu corpo e percebi que ele não se expressava de um jeito masculino. Foi olhando pra mim mesma, pro meu comportamento, pro meu próprio corpo que percebi que era mulher”, revela em seu depoimento.


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