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Detecção precoce de distúrbios de linguagem

Técnica avalia como informação auditiva é processada e de que forma diagnostica problemas

maio de 2008
© NARCISA FLORICICA BUZLEA/SHUTTERSTOCK
Nos primeiros meses de vida o cérebro faz mapa acústico do idioma, diz neurocientista
Entender como o cérebro infantil distingue sons está ajudando pesquisadores americanos a detectar e corrigir distúrbios de linguagem em crianças que ainda nem aprenderam a falar. O trabalho é coordenado pela neurocientista April Benasich, do Laboratório de Estudos da Infância da Universidade Rutgers, em Newark, Estados Unidos. “Nossos resultados mostram que não se trata de um atraso na maturação do sistema nervoso, mas de diferenças importantes no processamento da informação acústica”, diz a pesquisadora.

Benasich há anos se dedica ao mapeamento das ondas cerebrais para descobrir os detalhes de como o cérebro em desenvolvimento processa e distingue estímulos auditivos que chegam em rápida sucessão. A diferenciação de sons como “ba” e “da”, por exemplo, é muito importante na decodificação da linguagem e precisa acontecer em questão de milissegundos. Segundo a neurocientista, já com poucos meses de vida o cérebro trabalha para montar um mapa acústico de seu idioma nativo, mas, em algumas crianças, esse processo pode tomar rumos diferentes. Estima-se que entre 5% e 10% das crianças em idade escolar tenham algum déficit de linguagem que compromete a leitura ou a fala.

Usando um tipo de eletroencefalograma específico e mais potente que o convencional, a pesquisadora verificou que os bebês com dificuldades nos testes auditivos usam menos o hemisfério esquerdo, por exemplo, em relação ao grupo-controle. A proporção de ondas gama também se mostra alterada. “Nossa técnica pode prever, com 90% de precisão, o risco de um bebê de 3 a 6 meses vir a ter distúrbios de linguagem alguns anos depois, dentre os quais o mais comum é a dislexia”, explica Benasich.

Para tentar reverter esse problema, a pesquisadora começa a usar técnicas de imageamento cerebral, como a ressonância magnética funcional, para localizar com maior precisão as áreas envolvidas nos distúrbios. “Nosso objetivo é não só desenvolver técnicas de treinamento para corrigir problemas no processamento auditivo rápido, mas também identificar o período durante o desenvolvimento infantil em que o cérebro é mais plástico”, conclui.