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Detector de mentira high tech pode ser usado em tribunais

março de 2009
Divulgação
No cinema: equipamento é usado por protagonista da comédia Entrando numa fria para atormentar o futuro genro
Muitos especialistas em bioética temiam que, mais cedo ou mais tarde, a ressonância magnética funcional (fMRI) fosse usada nos tribunais como uma espécie de “detector de mentira”. É justamente isso que acaba de acontecer na corte de justiça da Carolina do Sul, nos Estados Unidos. O réu foi acusado de abusar sexualmente de um menor e os advogados de defesa ofereceram como prova de sua inocência um exame de ressonância magnética funcional (fMRI) que “mostra” que ele não está mentindo quando nega as acusações, segundo informações do blog do Centro de Direito e Biociências da Universidade Stanford.

O exame foi realizado pela empresa No Lie fMRI, sediada em San Diego, que afirma em seu site, que esta tecnologia “representa a primeira e única medida direta de verificação da verdade e detecção de mentira em humanos da história”. A matéria é extremamente polêmica já que não há estudos científicos que atestem a validade da fMRI como detector de mentiras, embora a defesa do réu argumente que a tecnologia é precisa e geralmente aceita dentro da “comunidade científica relevante”. A história nos remete inevitavelmente ao polígrafo, o detector de mentiras mundialmente conhecido, usado por muitos países nos tribunais e nos serviços de inteligência ao longo de quase todo século 20, mas que acabou se revelando pouco confiável.

Segundo a No Lie fMRI, o novo detector de mentiras high tech não erraria porque se baseia em medidas do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal) e não do sistema nervoso periférico, como faz o polígrafo. Mas esta segurança não é compartilhada por quase ninguém fora dos muros da empresa. Pelo contrário. Recentemente o uso da fMRI como “leitor da mente” vem sendo criticado por muitos cientistas, que vêem aí o surgimento de uma “nova frenologia” cerebral (como um raio-X). A imagem resulta de um sofisticado processamento computacional e estatístico que inclusive sugere que boa parte das pesquisas já publicadas (com uso de fMRI na área de cognição social) usou análises estatísticas que enviesaram seus resultados. Segundo o grupo de Stanford, o caso corre em sigilo e não se sabe como os juízes vão lidar com a nova evidência, mas o mais provável é que a submetam à opinião de especialistas independentes.