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Dez mutações genéticas causam vitiligo

Doença autoimune provoca despigmentação da pele; conflitos psíquicos e estresse contribuem para que manchas brancas se alastrem

junho de 2010
© N. Mitchell/Shutterstock
O vitiligo está associado a mutações em genes que atuam no sistema imunológico humano. Essa é a conclusão de um estudo realizado por um grupo de pesquisadores de vários países publicado no site da revista Nature Genetics. Caracterizada pela perda localizada da pigmentação na pele, a patologia é citada em textos médicos desde a Antiguidade, embora ainda hoje pouco se conheça sobre ela. Na maioria dos casos, o sintoma pode ser controlado, mas não costuma ser totalmente eliminado.

No artigo, os pesquisadores descrevem como descobriram variações em dez genes associados com a resposta imunológica em pessoas com o problema. Os genes integram a família Fox, conhecida por regular a expressão gênica e a funcionalidade em linfócitos T e em outras células envolvidas na defesa contra infecções.

Liderados por Richard Spritz, diretor do Programa de Genética Médica Humana da Universidade do Colorado, os pesquisadores identificaram os genes que aumentam o risco de desenvolvimento do vitiligo ao estudar o genoma de mais de 1,5 mil portadores da doença e comparar os dados com os de não portadores. Normalmente, uma resposta imunológica é algo positivo, mas no caso do vitiligo as células que protegem o organismo aparentemente se tornam agressivas E acabam destruindo os melanócitos responsáveis pela produção de pigmentos que dão coloração à pele. O estudo reforça a teoria de que há múltiplos caminhos celulares que podem contribuir para a manifestação e a progressão da patologia. Segundo os autores, isso torna mais difícil compreender a doença, mas, ao mesmo tempo, oferece uma grande variedade de pontos de partida para o desenvolvimento de terapias.

“O vitiligo generalizado é um distúrbio complexo que envolve não apenas genética ou o ambiente, mas uma combinação de fatores, devendo ser levadas em conta também questões psicológicas. Mas se forem estudados os aspectos biológicos, será possível descobrir maneiras de interromper o surgimento de sintomas”, declarou Margaret Wallace, da Universidade da Flórida, um dos autores do estudo. Em sua opinião, esse avanço talvez seja uma oportunidade de pôr em prática uma medicina personalizada, com terapias desenvolvidas especialmente para pessoas com suscetibilidades genéticas específicas. Para uma resposta mais efetiva a qualquer tratamento, entretanto, é fundamental o acompanhamento psicológico, tanto para tratar dos aspectos psíquicos que contribuíram para deflagrar a doença quanto para ajudar o paciente a lidar com os inconvenientes (e eventuais preconceitos) ocasionados pelo aparecimento das manchas brancas – que em certos casos se alastram por grande parte do corpo. (Flávia Ferreira, com informações da Agência Fapesp)