Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Diagnósticos de casos de Alzheimer aumentam 10% no HCor de São Paulo

Considerar o enfraquecimento cognitivo leve como um estágio da doença deve alterar estatísticas

junho de 2011
© Stas Volik/Shutterstock
Lançadas no mês passado pela Associação Americana do Alzheimer, em parceria com o Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos, as novas diretrizes para diagnóstico de Alzheimer alteram pontos importantes em relação às anteriores, que vêm sendo usadas desde 1984. As novas diretrizes para o diagnóstico do Alzheimer podem aumentar o número de casos da doença: no Hospital do Coração (HCor) de São Paulo foi registrado aumento de 10% em 2010, comparado ao ano anterior.


O ponto positivo é que agora serão identificados estágios claros da doença. O primeiro, e mais severo, é a demência, quando o paciente mostra claramente o déficit cognitivo e funcional. Esse momento é caracterizado não somente pela perda de memória, mas também por problemas de localização espacial e raciocínio. O estágio do comprometimento cognitivo leve representa uma fase inicial que consiste em debilidades mais modestas, principalmente de memória, que podem indicar a futura ocorrência da doença. Além disso, as novas diretrizes incorporam o uso dos biomarcadores – como a quantificação de determinadas proteínas presentes no sangue ou no líquido medular – para realizar o diagnóstico e avaliação da doença – para uso quase que exclusivamente de pesquisadores.


Segundo a neurologista Maristela Costa, responsável pelo check-up neurológico do HCor, com as mudanças o comprometimento cognitivo leve se torna um novo diagnóstico, o que pode resultar no aumento de pessoas identificadas em um dos novos estágios da patologia. “As novas diretrizes resultarão em pouquíssimas mudanças na prática clínica atual. Entretanto, os novos critérios estão realmente abrindo o leque de possibilidades para investigarmos a doença e eventualmente encontrarmos abordagens que serão cruciais para evitar o Alzheimer”, diz Maristela.


A doença de Alzheimer é uma afecção degenerativa do sistema nervoso, com causas ainda desconhecidas, e manifesta-se por uma perda sistematizada das funções corticais. Ela atinge a população acima dos 55 anos e os primeiros sintomas são alterações da memória, facilmente banalizadas no início, mas que se tornam rapidamente muito incômodas. Com o passar do tempo as funções cognitivas se complicam e surgem alterações progressivas de outras funções intelectuais como desorientação espacial, problemas de linguagem e apraxia gestual. Posteriormente, a pessoa começa a apresentar indiferença afetiva ou episódios de agressividade, acompanhados às vezes de perturbações perceptivas e alucinações, o que normalmente dificulta a realização de atividades diárias simples.