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Peixe ajuda cientistas a entender por que o sono melhora o desempenho cerebral

Diminuição da atividade sináptica faz com que memórias desnecessárias sejam apagadas e as lembranças importantes, consolidadas

junho de 2011
Helen Thompson
© David Dohnal/Shutterstock
Nada como uma noite bem-dormida para termos a impressão de que a vida se torna menos complicada. Às vezes, até uma bela soneca depois do almoço é suficiente para garantir o resultado. Por que isso acontece? Uma corrente de pesquisadores argumenta que dormir reduz as conexões insignificantes entre os neurônios, evitando sobrecarga cerebral. Outro grupo alega que a principal função do sono é consolidar a memória do que foi vivido no dia anterior.


As duas hipóteses parecem corretas. E para entenderem melhor por que o sono favorece o desempenho das células neurais, pesquisadores recorreram ao estudo de larvas do peixe brasileiro paulistinha, uma espécie muito comum em aquários. Assim como a maioria dos seres humanos, esses animais são ativos durante o dia e descansam à noite. Por serem transparentes é possível observar seu cérebro enquanto dormem. Os pesquisadores, liderados por Lior Appelbaum e Philippe Mourrain, da Universidade Stanford, na Califórnia, marcaram os neurônios das larvas com um corante para que as conexões neuronais ativas (sinapses) ficassem verdes, e as inativas, pretas. A diminuição da atividade sináptica demonstrou que o sono de fato suprime memórias desnecessárias e consolida as lembranças importantes. Ou seja: o processo reduz a atividade neural e permite a recuperação de experiências. Sem essa redução sináptica, o sistema cerebral não teria condição de absorver e armazenar continuamente novas informações. Os pesquisadores, primeiros a demonstrar os efeitos do ciclo sono-vigília sobre as sinapses em um vertebrado vivo, publicaram os resultados do estudo no periódico Neuron.