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09 de junho de 2009
Dissertação de mestrado relata conflitos vividos por dekasseguis que retornam ao Brasil
 
©Cecilia Lim H M/Shutterstock
A vida dos dekasseguis que voltam do Japão para o Brasil nem sempre é fácil. “Há uma série de conflitos, principalmente em relação à sua própria identidade”, descreve a psicóloga Laura Satoe Ueno. Em sua dissertação de mestrado, defendida no Instituto de Psicologia da USP, ela descreve as experiências de 11 dekasseguis que retornaram ao país e participaram de um workshop do Serviço de Orientação Intercultural do IP, da qual Laura faz parte.

O tempo médio de permanência dos participantes no Japão foi de sete anos. Nos extremos do grupo, um deles permaneceu por um ano, enquanto outro viveu lá durante 15 anos. Todos eram adultos e alguns deles consideravam a possibilidade de retorno ao Oriente, embora essa alternativa fosse carregada de conflitos. Laura realizou uma intervenção breve, que possibilitou grande participação de todos. Entre as atividades, a troca de experiências, ilustrações relacionadas às culturas dos dois países produzidas pelos participantes e a exibição de um documentário sobre o tema. O workshop aconteceu no bairro paulistano da Liberdade, conhecido reduto da colônia oriental na cidade.

Laura conta que o Serviço de Orientação Intercultural do IP já prestava atendimento a outras pessoas nessas condições. “Esse tipo de atendimento dura em média 12 semanas e o interessado passa pelo serviço uma vez por semana”, conta. No workshop, Laura pôde apresentar aos dekasseguis alguns conceitos teóricos da psicologia. “Eles puderam entender teoricamente o que estava acontecendo com eles. Assim, conseguiram modificar suas representações simbólicas em relação ao fato”, ressalta. Além disso, as outras atividades possibilitaram maior interação entre a psicóloga e os participantes. Formou-se um “grupo de apoio social”.
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