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Dói de verdade

janeiro de 2007
A fibromialgia afeta cerca de 4% da população (a maioria mulheres), corresponde a até 20% dos pacientes na clínica reumatológica e é mais comum entre pessoas com nível social mais alto
Dores difusas, crônicas e muitas vezes incapacitantes são o principal sintoma da fibromialgia, uma síndrome freqüentemente confundida com artrite e sobre a qual há muita controvérsia.

Pesquisadores da Universidade de Michigan parecem ter colocado um ponto final num antigo debate em que um dos lados argumentava que os sintomas dolorosos seriam manifestações de caráter puramente emocional, sem alterações orgânicas subjacentes. "A dor da fibromialgia é real", afirma Richard Harris, autor de uma revisão, publicada na Current Pain and Headache Reports, que compila os estudos recentes sobre a fisiopatologia, a neurobiologia e a genética dessa condição. Segundo ele, há quantidade suficiente de evidências que mostram que a fibromialgia é caracterizada por um limiar mais baixo da dor, associado a fatores genéticos que tornam algumas pessoas mais suscetíveis ao problema. A fibromialgia afeta cerca de 4% da população (a maioria mulheres), corresponde a até 20% dos pacientes na clínica reumatológica e é mais comum entre pessoas com nível social mais alto.

Um dos estudos citados na revisão foi feito pelo próprio Harris e revelou diferenças entre o cérebro de pacientes com fibromialgia e o de pessoas saudáveis por meio de ressonância magnética funcional e tomografia por emissão de pósitrons. "Nos pacientes, as estruturas que codificam e transmitem os sinais de dor estavam hiperativas", diz o pesquisador. Outro estudo, publicado na Science em 2003, mostrou pequenas variações no gene que codifica uma enzima chamada Comt, cuja atividade está ligada a emoções relacionadas à dor e à tolerância aos estímulos dolorosos. Outro estudo demonstrou que mutações nesse gene favorecem o desenvolvimento de um distúrbio na articulação da mandíbula, condição comum em quem tem fibromialgia.

Se a revisão dos pesquisadores salienta detalhes neurobiológicos, eles não negam, porém, que aspectos emocionais desempenhem algum papel. Os reumatologistas estão habituados a casos em que o problema é deflagrado por traumas físicos ou psíquicos. Por outro lado, é comum a fibromialgia vir acompanhada de alterações de humor, o que agrava ainda mais o quadro de dor.