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Dormir pouco prejudica a saúde mental de adolescentes

Pesquisa mostra que cada hora a menos na cama implica aumento da probabilidade de desenvolver problemas como depressão e abuso de substâncias

setembro de 2015
SHUTTERSTOCK
Muitos estudos sugerem relações entre sono insuficiente e o surgimento de sintomas de transtornos psíquicos. Uma nova pesquisa, publicada no Journal of Youth and Adolescence, faz um recorte desses efeitos sobre a saúde dos adolescentes: cada hora a menos na cama implica aumento da probabilidade de desenvolver problemas como depressão e abuso de substâncias.

Os cientistas avaliaram uma amostra etnicamente diversa de 27.939 alunos do ensino médio da Virgínia. Embora os adolescentes precisem de aproximadamente nove horas de sono por noite, em média, segundo os Institutos Nacionais de Saúde, apenas 3% dos estudantes relataram dormir essa quantidade; 20% contaram ter cinco horas ou menos de sono. O valor médio foi de 6,5 horas por noite por semana. Depois de controlarem as variáveis, como status e renda familiar, os pesquisadores concluíram que cada hora a menos de descanso noturno foi associada com aumento de 38% da probabilidade de sentir tristeza e desesperança; 42%, de considerar o suicídio; 58%, de tentar se matar; e 23%, de

abusar de substâncias.

Os resultados são correlacionais, ou seja, não provam que a falta de sono causa esses problemas. Certamente, o inverso pode ser verdadeiro: depressão e ansiedade podem favorecer a insônia. “A maioria das evidências científicas, porém, aponta na direção causal, de que não dormir o suficiente pode levar a essas dificuldades, e não o contrário”, argumenta o professor de psicologia Adam Winsler, da Universidade George Mason, coautor do estudo. Não descansar satisfatoriamente pode afetar a função executiva (possibilita a regulação de comportamentos), o autocontrole e a capacidade de tomada de decisão – funções relacionadas à área do cérebro ainda em amadurecimento nessa fase da vida. “Pais, educadores e terapeutas devem prestar mais atenção ao papel do sono nas doenças mentais entre jovens”, aconselha Winsler. “Os efeitos de dormir bem, provavelmente, são maiores do que os de terapias e medicamentos.”

Matéria publicada originalmente na edição de setembro de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/1Xgizxu



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