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É possível aprender a ser bom?

Estudos apontam métodos para o desenvolvimento da empatia e compaixão

outubro de 2015
SHUTTERSTOCK

Muitas vezes, quando as pessoas pensam na aparência física de homens e mulheres bondosos, preocupados com o bem-estar alheio, raramente os imaginam com uma postura firme, num papel de liderança. Em geral, tendem a atribuir a eles expressão corporal tímida, retraída. Mesmo em experimentos científicos em que os participantes são convidados a imaginar a si mesmos mais generosos e empáticos, psicólogos perceberam que os voluntários costumam “se encolher” fisicamente – na maioria das vezes sem sequer se dar conta dessa atitude. Essa constatação revela uma crença equivocada – afinal, ser bom não é ser bobo. O que algumas pesquisas realizadas nos Estados Unidos mostram é que assertividade, liderança e autoridade combinam muito bem com empatia e generosidade. E o melhor: essas qualidades podem ser reforçadas.

Num estudo coordenado pela psicóloga Dana Carney, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Berkeley, voluntários foram ensinados a apresentar atitude firme e ao mesmo tempo delicada, por meio de uma prática chamada pelos pesquisadores de “meditação de bondade amorosa”. Nesse tipo de prática, as pessoas repetem em silêncio desejos de saúde e felicidade para si mesmas e para os outros – e, nesse processo, cultivam sentimentos de empatia.

Em outro experimento realizado por cientistas da Universidade de Wisconsin em Madison, foram escaneados cérebros de meditadores experientes e novatos que se concentravam nesses conteúdos positivos. Ao ouvirem sons de alguém em perigo nos alto-falantes durante a prática de bondade amorosa, todos apresentaram atividade aumentada na ínsula, área do cérebro envolvida no autoconhecimento e na experiência emocional. Os praticantes experientes apresentaram reações mais fortes aos sons, sugerindo que a compaixão e a empatia podem ser aprendidas.

Na Universidade Stanford, outro grupo de psicólogos descobriu que pessoas que praticavam a meditação com o intuito de ampliar a capacidade de amor e tolerância relataram se sentir socialmente conectadas a estranhos vistos em fotos e emocionalmente próximos a elas – esse sentimento, entretanto, requer algum tempo de dedicação e empenho para que possamos nos familiarizar com ele.

De certa forma, os benefícios de adotar uma atitude não apenas superficialmente gentil, mas de fato empática, dependem de como se entende sucesso. Se ser bem-sucedido é desenvolver recursos que levarão a ter felicidade a longo prazo, mais saúde física e mental, relacionamentos sólidos e prazer no cotidiano, as pessoas boas levam vantagem. É importante lembrar, porém, que líderes justos e compassivos podem ser de grande benefício ao grupo, por isso vale a pena prestar especial atenção à postura.

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