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Ecstasy é tema de palestra em congresso de toxicologia

novembro de 2007
Divulgação
(Agência Fiocruz de Notícias) – Os jornais noticiaram recentemente o caso de um jovem de 17 anos que teria morrido após consumir ecstasy misturado com bebidas alcoólicas em uma festa rave no Rio de Janeiro. Também foi manchete a prisão de jovens de classe média/alta, alguns estudantes universitários, acusados de fornecer a droga. O ecstasy, sua síntese, uso no Brasil e no exterior, mecanismos de ação, sinais e sintomas da intoxicação, principais complicações e tratamento serão abordados em uma palestra durante o 15° Congresso Brasileiro de Toxicologia, que acontece de 18 a 21 de novembro em Búzios.

A palestra será proferida pela médica Adriana Mello Barotto, do Centro de Informações Toxicológicas de Santa Catarina (CIT/SC). “Ainda há pouco uso de ecstasy no Brasil, visto que é uma droga cara e seu consumo é feito principalmente pelas classes média e alta”, diz. “No entanto o aumento das apreensões sugere um aumento gradual no uso da substância”.

No final da década de 70 e início dos anos 80, o ecstasy foi empregado como auxiliar psicoterapêutico. Nos Estados Unidos, não era uma droga ilegal até 1985, o que explica seu uso bem mais comum naquele país do que no Brasil. Os primeiros relatos do ecstasy por aqui datam de 1994. “Ele era trazido por pessoas que viajavam para a Europa, particularmente para Amsterdã, e traziam alguns comprimidos que eram distribuídos para um grupo seleto de pessoas e usados em clubes noturnos no Brasil”, conta.
De produção relativamente simples, o ecstasy é uma substância química chamada metilenodioximetanfetamina (MDMA), mas pode conter anfetaminas, cafeína e outros componentes. Cada comprimido dessa droga sintética custa, em média, de R$ 30 a R$ 50. Os usuários são, em geral, pessoas de classe média ou alta que utilizam o ecstasy "recreativamente" em festas ou clubes noturnos.

Essa droga afeta a liberação, a recaptação e a síntese de neurotransmissores, substâncias que operam a transmissão dos impulsos nervosos. Ela pode causar dependência, mas, como a utilização freqüente provoca mais efeitos negativos do que prazerosos, a tendência é que os usuários façam um intervalo de vários dias entre um consumo e outro.

O uso da droga apenas uma vez pode causar intoxicação, sendo as conseqüências mais graves a hipertermia (elevação da temperatura do corpo) e a encefalopatia hiponatrêmica (com forte sensação de sede e porque secreta o hormônio anti-diurético, o usuário consome volume excessivo de água e não urina, o que dilui o sangue e pode provocar inchaço do cérebro).

Quanto ao uso continuado, ele pode acarretar problemas psiquiátricos, como depressão, síndrome do pânico, desmotivação, comportamento anti-social. “Alterações da memória também têm sido descritas. Questiona-se uma neurotoxicidade da droga”, completa Adriana.