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Embalagens desencadeiam agitação em meninas

O consumo por grávidas de comidas embaladas pode provocar sintomas característicos do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade nos filhos

maio de 2012
© Jandrielombard/Istcokphoto
Encontrada em latas e recipientes de plástico, a substância bisfenol A, conhecida como BPA, tem propriedades semelhantes às do hormônio feminino estrogênio. Há alguns anos, seu uso foi proibido na fabricação de mamadeiras por alguns países, pois pesquisas identificaram, por meio de experiências com roedores, que ela pode interferir no cérebro em desenvolvimento. Cientistas da Universidade Harvard descobriram que há relação entre o consumo de comidas embaladas por grávidas e a incidência de sintomas característicos do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ansiedade, depressão e de dificuldade de controle de impulsos nas crianças por volta dos 3 anos, especialmente as meninas.

O epidemiologista Joe Braun, da Universidade Harvard, acompanhou 240 mulheres e seus filhos por três anos. Coletou a urina delas durante a gravidez e 24 horas após o nascimento do bebê. Depois fez a coleta das crianças quando tinham 1, 2 e 3 anos de idade. O BPA foi detectado em 97% das amostras. Segundo Braun, mais de 90% dos americanos apresentam BPA na urina. A substância é componente comum de resinas que revestem latas e embalagens de plástico. Ela facilmente contamina a comida.

Os pesquisadores também questionaram os pais sobre o comportamento dos filhos, sua capacidade de autocontrole e como expressavam suas emoções. Constataram que a exposição ao BPA no útero era proporcional à intensidade dos sintomas de hiperatividade e que os efeitos eram mais intensos em meninas. A equipe não encontrou ligação entre o comportamento das crianças e a exposição ao BPA depois do nascimento, conforme relataram em artigo publicado na Pediatrics. Optar por alimentos frescos e abrir mão dos embalados durante a gravidez pode reduzir o consumo da substância pela metade, afirmam os autores.