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Empresas apostam em tecnologia para marcapasso cerebral

Equipamentos podem ser usados para tratamento de doenças como Parkinson

novembro de 2008
© Creations/Shutterstock
A NeuroNexus Techonologies (empresa especializada no desenvolvimento e fabricação de eletrodos de microescala) e a Philips Research (voltada à microeletrônica e ao processamento de sinais) anunciaram parceria para desenvolver a próxima geração de aparelhos de estimulação profunda do cérebro com o intuito de auxiliar no tratamento de doenças neurológicas e psíquicas.

A proposta inicial é investir na criação de um aparelho para o tratamento da doença de Parkinson, uma patologia degenerativa do sistema nervoso central, que prejudica a capacidade motora e de fala do paciente, levando a uma perda progressiva de qualidade de vida. Publicações recentes sugerem que a estimulação profunda do cérebro pode também ser aplicada no tratamento de distúrbios como as depressões graves, refratárias aos efeitos da medicação. A técnica da estimulação prevê o implante de uma espécie de “marcapasso cerebral”, que envia impulsos elétricos para partes específicas do sistema nervoso por meio de eletrodos implantados permanentemente.

A unidade de controle do dispositivo é normalmente colocada no peito ou abdome do paciente, ligado ao eletrodo no cérebro por meio de um cabo sob a pele. Segundo o professor Maximiliam Mehdorn, chefe de Neurocirurgia da Universidade Christian-Albrechts de Kiel, na Alemanha, a estimulação profunda do cérebro, da forma que é usada, oferece diversos desafios. Ele observa que o implante requer um longo procedimento cirúrgico envolvendo neurocirurgiões e neurologistas. “Após a cirurgia, a configuração dos padrões adequados de estimulação costuma ser dolorosa para o paciente, e se, a longo prazo, a pessoa desenvolver problemas de saúde que exijam exames de ressonância magnética, o procedimento não poderá ser usado, já que os implantes atuais são incompatíveis com esse tipo de procedimento por causa dos materiais usados na fabricação dos eletrodos e nos estimuladores”, ressalta. O projeto de pesquisa conjunta tem como objetivo simplificar o processo de implantação, diminuir a extensão do procedimento cirúrgico e desenvolver aparelhos compatíveis com a ressonância magnética.