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Engatinhar torna bebê cuidadoso com altura

A cada fase a criança reavalia as próprias limitações e seu cérebro se reorganiza em busca de segurança

março de 2011
© jeff cadge/ photographer’s choice/getty images
Alguns animais, como as cabras, já nascem sabendo quais são os locais seguros para escalar. Já os humanos precisam praticar os primeiros passos, aventurando-se por aí. Adquirir habilidade de movimentar-se com precisão requer que a criança atinja maturação neurológica e treine os movimentos. Um estudo recente realizado pela professora de psicologia Karen Adolph, da Universidade de Nova York, mostrou que a cada nova fase do desenvolvimento motor os bebês têm de reaprender a se manter seguros. Para testar como os pequenos avaliam os riscos, a pesquisadora colocou crianças de 12 a 18 meses entre rampas de madeira com diferentes alturas. As mães estavam presentes durante a experiência, incentivando os filhos a se locomover. Em geral, os que vinham engatinhando havia meses e os que já andavam não subiram em obstáculos muito altos. Mas vários bebês que estavam aprendendo a caminhar marcharam resolutos sobre os objetos – correndo o risco de quedas de até 90 cm. “Acreditamos que isso signifique que os que engatinham aprendem a ter medo de altura. Eles sabem o que seus corpos nessas condições podem fazer. Quando o estilo de locomoção muda, precisam praticar para ‘recalibrar’ a percepção de sua capacidade”, observa Karen. Quando adultas, as pessoas se ajustam a limitações motoras em diversas situações como ao transferir o peso do corpo para aliviar um pé dolorido ou tomar mais cuidado quando há gelo no chão, por exemplo. De acordo com o estudo, essas adaptações são desenvolvidas na infância, quando experimentamos os limites físicos e a possibilidade de cometer erros.