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Entenda a tripofobia, o medo de buracos

Certo padrão de pequenos furos gera mal estar e repulsa; fobia pode estar atrelada à herança evolutiva

abril de 2014
Thinkstock (Lotus seed head)
Na última década, surgiram vários fóruns e comunidades na internet sobre um tipo específico de aversão: conjunto de pequenos furos em superfícies planas. Muitas pessoas sentem mal-estar ao ver, por exemplo, fotos de colmeias, de sementes de lótus (imagem ao lado) ou mesmo de bolinhas desenhadas sobre a pele. Mais que um fenômeno da internet, a tripofobia, que significa literalmente “medo de buracos”, é hoje reconhecida por pesquisadores. Os psicólogos Geoff Cole e Arnold Wilkins, da Universidade de Essex, na Inglaterra, são os principais estudiosos do assunto. Em uma de suas pesquisas, exibiram fotos de sementes de lótus a 286 adultos com idades entre 18 e 55 anos: 11% dos homens e 18% das mulheres descreveram a imagem como “desagradável ou repulsiva”, mostrando evitação, indício de fobia.

No entanto, a tripofobia não é desencadeada por qualquer sequência de buracos. Segundo Cole e Wilkins, as imagens consideradas desconfortáveis geralmente obedecem a um padrão visual, que lembra tanto a coloração da pele de alguns animais venenosos como evocam perfurações cutâneas, como cicatrizes e bolhas causadas por doenças e ferimentos. A rejeição pode ser, sugerem, uma herança de nossos ancestrais, que tiveram contato frequente com vermes e outros organismos que penetram no corpo e causam inflamações.

 

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