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Entre a razão e a emoção

junho de 2008
© ROBERTO ADRIAN/ISTOCKPHOTO
Distribuição hipotética de alimentos ajuda a compreender como cérebro reage a questões éticas
Imagine que você tem 100 quilos de alimentos para distribuir a uma população carente. Acontece que, se dividi-los em porções iguais e entregá-las a cada indivíduo, 20 quilos serão desperdiçados. Em compensação, se apenas metade das pessoas for contemplada, a perda será de apenas 5 quilos. O que fazer: maximizar o total de alimento distribuído ou sacrificar 15 quilos de comida em nome da eqüidade? Com esse tipo de dilema ético hipotético e imagens cerebrais obtidas por ressonância magnética funcional, pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia investigaram os circuitos neurais que participam de decisões referentes à percepção de justiça.

Publicados na revista Science, os resultados indicaram que, quando os voluntários optaram pela eficiência na entrega de alimentos, uma região cerebral conhecida como putâmen, que participa do processamento de sinais ligados à recompensa, entra em ação de forma exuberante. Já quando a decisão favorece a distribuição equitativa, a atividade da ínsula, área conectada com circuitos emocionais, torna-se predominante. As imagens revelaram ainda que, dentre os que preferiram a eficiência, a resposta cerebral foi bem mais variável do que nos que privilegiaram a eqüidade. Segundo os autores, as conclusões de estudo sugerem aquilo que Platão, Kant e outros filósofos já defenderam, isto é, que nosso senso de justiça depende mais da emoção do que da razão.