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Entre flores animadas e olhos gigantes

Com ajuda de projetores, artista cria atmosfera de fantasia e delírio por meio de sons e imagens que denunciam a falta de comunicação e o isolamento social

janeiro de 2011
divulgação
Judy, 1994
Flores animadas, olhos gigantes que piscam o tempo todo e bonecos que conversam entre si: essa é a atmosfera fantástica criada pelo artista americano Tony Oursler, autor da mostra Projetor em cartaz no Rio de Janeiro, no Oi Futuro Flamengo. Desde os anos 70, o artista, que trabalha com produção e inserção de vídeos em suas obras, “anima” objetos com uso de projeções em videoinstalações de pequeno e grande porte, sempre com o objetivo de expressar a falta de comunicação e o isolamento das pessoas na sociedade contemporânea. A proposta é que o espectador não olhe para uma superfície plana, nem contemple as peças, mas assista às cenas. Por isso, formas, cores e sons estão espalhados pelo museu.


Há vídeos do início da carreira de Oursler, desenhos e trabalhos de uma das séries expostas na Galeria Lehman Maupin, em Nova York. Uma das mais impressionantes é Judy (1994), uma obra inspirada na síndrome da múltipla personalidade – distúrbio em que o paciente apresenta duas ou mais identidades. Ao entrar na instalação, que ocupa um andar inteiro do prédio, o visitante encontra um sofá e embaixo dele uma almofada e tecidos que simulam um corpo deitado no chão. Um projetor reflete na almofada a imagem de um rosto que emite palavrões e insultos incessantente referindo-se a várias circuntâncias da “vida do personagem”. A obra mostra vários momentos de uma videopersonagem. “É como se alguém se escondesse embaixo de um sofá e xingasse muito”, diz o artista. Como a obra é extremamente complexa, Oursler veio ao Brasil para montar a instalação e contou com a ajuda de três assistentes.
divulgação
Obra sem título, 2010
A obra Olhos (1996) – que também ocupa um andar inteiro – é uma das mais famosas da carreira do artista. Em uma sala escura estão penduradas bolas brancas de vários tamanhos; nelas são refletidas imagens de olhos em movimento que parecem observar o visitante o tempo todo. Outra peça interessante é Obra sem título (2010), que lembra uma mancha de Rorschach, um teste projetivo desenvolvido pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach. A exposição tem curadoria do mestre em comunicação e crítico de arte Paulo Venancio Filho.