Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Esclerose múltipla: conheça melhor o transtorno

De causas desconhecidas, a doença afeta mais de dois milhões de pessoas ao redor do mundo

agosto de 2014
James D. Bowen
Shutterstock
A maioria dos cientistas acredita que as células brancas atacam a mielina dos neurônios, causando danos que interrompem a transmissão de impulsos nervosos e destroem os próprios nervos
A esclerose múltipla atinge o cérebro e a medula espinhal, causando problemas motores, sensoriais e cognitivos. A patologia afeta cerca de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais metade estará inválida entre 10 e 15 anos após o diagnóstico. De fato, o distúrbio é uma das principais causas de incapacidade, não traumática, em adultos jovens e atinge pessoas entre 15 e 50 anos em média – geralmente a reação inflamatória é identificada por volta dos 30.

Apesar do prognóstico sombrio, uma enxurrada de novos tratamentos tem trazido esperança de qualidade de vida para pacientes que sofrem com o problema. Com base na regulação de respostas imunológicas prejudiciais, essas terapias ajudam a reduzir frequência e gravidade dos sintomas e podem retardar a progressão dos sintomas. Durante os últimos 20 anos, o órgão governamental americano Administração de Drogas e Alimentos (FDA, na sigla em inglês) aprovou nove novos medicamentos e outros dois serão revisados nos próximos meses. A causa ainda é desconhecida. Conforme as pesquisas avançam muitos cientistas tentam entender o que provoca a degeneração progressiva dos neurônios. O objetivo é desenvolver tratamentos para interromper completamente o distúrbio ou até mesmo preveni-lo.

Causas misteriosas e o sistema imunológico

Ao longo dos anos, a causa da esclerose múltipla foi atribuída a diversos fatores, como dieta, infecções, toxinas e até mesmo a memórias reprimidas. Com base nessas teorias, muitos pacientes foram submetidos a numerosos tratamentos, muitos potencialmente prejudiciais. Há relatos de pessoas que tomaram injeção de leite, foram expostas a radiação, colocadas em caixas quentes e infectadas propositalmente com malária. Em 1936, o neurologista americano Richard Brickner publicou uma lista de 29 páginas com 158 diferentes tipos de terapias utilizadas na época para tratar o problema.

Avanços no campo da imunologia no início de 1900 valorizaram o papel do sistema imunológico. Em 1933, pesquisadores produziram um distúrbio do tipo da esclerose múltipla em macacos resos chamado encefalomielite autoimune experimental: injetaram nos animais extrato de cérebro de coelho, o que provocou alterações no sistema imunológico dos símios, desencadeando reações contra o próprio sistema nervoso. Os pesquisadores descobriram que os alvos de ataque foram proteínas da mielina, uma substância repleta de gordura que envolve as longas mechas de neurônios chamadas axônios. A mielina alimenta as células e permite que conduzam os impulsos de forma eficiente. Com base no experimento com macacos, a descoberta reforçou a teoria de que a esclerose múltipla seja essencialmente um distúrbio autoimune. Além disso, ajudou cientistas a compreender melhor a patologia e desenvolver novos tratamentos.

Atualmente, a maioria dos cientistas acredita que as células brancas do sangue atacam as proteínas da mielina. O problema se inicia quando pessoas suscetíveis são expostas a vírus, bactéria ou outro aspecto ambiental que apresente proteínas semelhantes às da mielina. A exposição estimula a produção de células imunitárias que “confundem” a mielina com uma proteína desconhecida. De acordo com o padrão autoimune da esclerose múltipla, inicialmente os danos causados interrompem a transmissão de impulsos nervosos e, em seguida, destroem os próprios nervos. Apesar de décadas de pesquisa, no entanto, os cientistas ainda não descobriram seu desencadeador.

A esclerose múltipla atinge o sistema nervoso central, ou seja, o cérebro, a medula espinhal e os nervos ópticos. As inflamações tendem a mudar de lugar; somem de uma área para então reaparecer em outra após semanas, meses ou até mesmo anos. O paciente pode experimentar diversos sintomas em diferentes regiões do corpo, como dormência, formigamento, sensações de picada de agulha, dores, fraqueza muscular, tremores, além de distúrbios cognitivos, psicológicos e emocionais, em momentos distintos. Uma paralisia facial pode surgir logo após o fim de fraquezas nas pernas, por exemplo. O aumento e a diminuição de sintomas caracterizam a forma mais comum do distúrbio, chamada pelos cientistas de esclerose múltipla recorrente-remitente (veja quadro abaixo). Depois da primeira crise, a pessoa pode passar meses e até mesmo anos em remissão antes da recaída.

Padrões de sintomas

Quase 150 anos após o neurologista francês Jean-Martin Charcot descrever um distúrbio que chamou de la sclérose en plaques disséminées, os cientistas têm caracterizado diferentes formas da esclerose múltipla. Os tipos diferem nos padrões de sintomas que os pacientes demonstram; algumas alterações são mais comuns que outras. Veja algumas das principais manifestações do distúrbio neurológico:

Leia mais

Medicamento para esclerose múltipla pode enfraquecer memórias traumáticas
Em experimentos com ratos, droga FTY720 interferiu em lembranças de acontecimentos dolorosos

Esclerose lateral amiotrófica: a doença e seus sintomas
A ELA, muito comentada graças ao “desafio do balde com gelo" , causa atrofia muscular progressiva, afetando os movimentos