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Esculturas surrealistas evocam debate sobre ética e ficção

Criaturas fantásticas da australiana patricia piccinini levam a refletir sobre possíveis efeitos da engenharia genética

novembro de 2015
The Long Awaited (2008). Patricia Piccinini/Divulgação

O muito esperado (2008): híbridos de humanos e animais são frequentes na obra da artista

Posicionada logo na entrada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em São Paulo, a escultura Big mother pode, num primeiro olhar, causar desconforto para alguns: uma grande figura, híbrido entre mulher e macaco, que amamenta um bebê humano. Um dos trabalhos mais icônicos da australiana Patricia Piccinini, a obra é um prenúncio do que o espectador verá na mostra Com-ciência – esculturas que espantam pelo realismo das expressões e pelo absurdo das situações. Criações que evocam nossa ancestralidade, especulam sobre o futuro da espécie e revelam a complexidade humana em olhares e gestos de carinho.

Os seres desconhecidos, inspirados na engenharia genética, podem parecer tanto atraentes quanto repulsivos – e despertar questionamentos em relação aos limites éticos do uso da biotecnologia. Antes das visitas, o espectador tem a possibilidade de baixar no celular um aplicativo com um audioguia para a exposição. Para ouvir, nas palavras da artista, a respiração e as linguagens das suas estranhas criaturas. Entre os destaques, a obra O convidado bem-vindo (2011): uma garotinha – cujo rosto reproduz o da filha da artista – interage sobre sua cama com misto de humano e bicho-preguiça, enquanto um pavão assiste à cena. Na escultura O muito esperado (2008), um menino se apoia preguiçosamente no ser híbrido de uma velha mulher e um peixe-boi.

Inaugurada em outubro, a mostra atraiu cerca de 9 mil pessoas apenas no dia da abertura. De acordo com os organizadores, o apelo das esculturas surrealistas de Patricia Piccinini para o público geral tem sido semelhante ao das obras hiper-realistas do também australiano Ron Mueck, que levaram mais de 400 mil visitantes à Pinacoteca de São Paulo no início do ano.

Com-ciência – Patricia Piccinini.
Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) São Paulo.
Rua Álvares Penteado, 112, Centro, São Paulo.
De quarta a segunda, das 9h às 21h.
Informações: (11) 3113-3651. Grátis.
Até 4 de janeiro de 2016.

Esta nota foi publicada originalmente na edição de novembro de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/1Hug1BN

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