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Esfriando a cabeça

setembro de 2005
Psiquiatras lidam diariamente com um dos problemas de saúde mental mais atormentadores: explosões de agressividade. Este comportamento instável é sintoma de muitas doenças mentais: pode levar crianças autistas ou com hiperatividade por déficit de atenção a ataques de fúria ou contribuir para a ocorrência de crimes, cometidos por pessoas com transtornos não-diagnosticados.

Entretanto, não há nenhuma droga contra a agressividade na lista aprovada pela FDA, a agência americana de controle de medicamentos.

Assim, psiquiatras apresentam fortes argumentos em favor do desenvolvimento de novas drogas específicas para esse problema.

"Devemos enxergar a agressividade como um sintoma comum, como febre", afirma Peter Jensen, da Universidade de Columbia. "Ela pode fazer com que crianças terminem em hospitais, lares supervisionados ou dentro do sistema penal juvenil", acredita Jensen.

A agressividade é parte de nossa natureza, afirma Jensen, mas explosões de raiva levam a reações descontroladas, como brigas em bares e violência doméstica. Ela também difere da agressividade "fria" que psicopatas utilizam para cometer crimes premeditados. Sistemas cerebrais distintos estão envolvidos em cada um dos tipos de comportamento.

Sem drogas específicas, os médicos acabam prescrevendo substâncias aprovadas para outras doenças. O lítio, muito usado em tratamento do transtorno bipolar. Outra opção é uma droga contra esquizofrenia. Muitas dessas substâncias, porém, não foram testadas e, em casos de agressão, a maioria parece ineficaz.

Para complicar, a causa das explosões agressivas nem sempre é diagnosticada. Isto ficou claro para os médicos Joseph Calabrese e Omar Elhaj, da Universidade Case Western Reserve, nos Estados Unidos, que avaliaram possíveis sinais de transtornos afetivos em 526 detentos da penitenciária do condado de Ottawa, Ohio. Dos 165 que apresentavam sinais de comportamento agressivo, 55 receberam diagnóstico de transtorno bipolar, 21 de depressão maior e sete de esquizofrenia. Quase 80% não faziam idéia de que sofriam de alguma doença mental diagnosticável.