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Espelho de misérias humanas

agosto de 2007
©CAROL SACHS/DIVULGAÇÃO
Numa rua movimentada, Dario agoniza. Transeuntes envolvem-se apenas superficialmente com seu drama. Um lhe arranja um lugar para se sentar – e o deixa ali. Outro dobra o paletó para que recoste a cabeça e também se vai. Dario fica só. A cada cena, tiram-lhe algo: a aliança, o alfinete de pérola que prendia a gravata, o relógio. Em seus últimos momentos de vida perde elementos de sua identidade. Trata-se de uma metáfora da despersonalização. É esse mundo de crueldade e cinismo que retrata o espetáculo Educação sentimental do vampiro. No palco, sucedem-se personagens retirados de 18 contos do escritor Dalton Trevisan, conhecido como “Vampiro de Curitiba”, título de um de seus livros. Entre os textos encenados, está “Uma vela para Dario”.

O ambiente criado pelo autor expõe faces humanas com as quais, vez por outra, nos identificamos. O próprio Trevisan e sua opção pelo estilo de vida recluso influenciaram o diretor Felipe Hirsch. A peça é uma espécie de homenagem ao escritor, hoje com 82 anos, que mora em uma casa antiga de paredes cinzentas desbotadas, não concede entrevistas e vive isolado.

Educação sentimental do vampiro. Dalton Trevisan. Direção: Felipe Hirsch. Informações: (11) 3146-7405.