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Esperança de cura em lesões da medula espinhal

Cientistas da Universidade Yale descobriram uma molécula essencial no processo de reparo de prejuízos neuronais

junho de 2012
©DIGITAL STORM/SHUTTERSTOCK
Após sofrer um dano, os prolongamentos neurais que levam os comandos do cérebro até os músculos se regeneram. No entanto, isso não acontece com os neurônios motores da medula espinhal – uma importante parte do sistema nervoso, localizada na coluna vertebral, de onde saem os impulsos elétricos que produzem os movimentos. Cientistas da Universidade Yale, em Connecticut, descobriram que a molécula Notch, conhecida pela influência que exerce sobre as células-tronco que formam o sangue e o sistema nervoso, tem papel essencial no processo de reparo de lesões neuronais.

Ao bloquearem a atividade da Notch no verme microscópico Caenorhabditis elegans – o primeiro animal a ter todos os genes sequenciados –, os geneticistas Rachid El Bejjani e Marc Hammarlund observaram que o crescimento de neurônios melhorou, o que sugere que a molécula impede a regeneração dessas células. Em artigo publicado na revista Neuron, os pesquisadores explicam que, até então, consideravam que a Notch ficava ativa apenas durante o desenvolvimento fetal e na infância. Mas cada vez mais estudos sugerem sua influência na perda de neurônios característica de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

A substância inibidora da Notch usada no estudo já está sendo testada em roedores e em seres humanos para tratar Alzheimer. Mas Bejjani e Hammarlund pretendem analisar se ela pode fazer com que neurônios da medula danificados se regenerem em mamíferos. Segundo eles, comprovar que a Notch impede o crescimento de neurônios em humanos, como faz nos C. elegans, seria uma descoberta de enorme importância para tratar lesões da medula espinhal.