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Estresse é o principal gatilho da enxaqueca

O fator está relacionado a mais de 30% das crises da dor

junho de 2015
Fernanda Teixeira Ribeiro
SHUTTERSTOCK

Uma dor que acomete metade da cabeça e que pode durar de poucas horas até três dias. Não por acaso, é uma das 20 causas mais frequentes de incapacitação, segundo a OMS: em média, 18% das mulheres e 6% dos homens sofrem de enxaqueca. Durante uma crise, há dilatação de vasos sanguíneos da cabeça, o que causa dor pulsátil, e a hiperativação de regiões do córtex cerebral que processam informações dos sentidos – daí a característica intolerância a estímulos visuais, olfativos e auditivos. Determinados cheiros e luz podem ser um verdadeiro tormento. 

Não há cura ou mesmo causa definida da síndrome, que parece resultar de uma ampla combinação entre fatores genéticos, ambientais e emocionais. No entanto, o sofrimento pode ser atenuado com medicamentos, preventivos e de “resgate”. Nesse caso, é interessante procurar o médico neurologista logo que as dores de cabeça comecem a se tornar frequentes ou interfiram nas atividades diárias. A automedicação deve ser evitada – analgésicos comuns, vendidos em farmácia podem, em excesso, romper o mecanismo de autorregulação neurovascular e causar uma cefaleia rebote.

Quase sempre as crises são desencadeadas por algum fator, o “gatilho”. O principal é o estresse, relacionado a mais de 30% dos episódios de enxaqueca. Outros fatores importantes: alterações na rotina de sono, ficar muito tempo sem comer, consumo de álcool e de cafeína (ou mesmo a abstinência no caso desta). Com menos frequência, determinados cheiros, alimentos e esforço físico podem desencadear a dor. Conhecer os “gatilhos” permite controlá-los melhor, explica o neurologista Clóvis Roberto Francesconi, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). De acordo com o médico, fazer um diário das crises ajuda a identificar e a evitar hábitos possivelmente relacionados aos sintomas da enxaqueca.

“Isso não quer dizer que certa comida ou um copo de bebida vão sempre desencadear uma crise. Mas reconhecer que existe associação entre episódios de dor e alguns comportamentos pode ajudar o paciente a se tornar menos vulnerável, sabendo o que evitar ou como se cuidar em certas ocasiões”, diz Francesconi. No caso das mulheres, o diário é especialmente útil para observar se há relação entre as crises e mudanças hormonais do ciclo menstrual, o que possibilita tratamento preventivo focado no período, com doses menores de medicamentos que agem nos vasos sensibilizados. Importante ressaltar, aliás, que mulheres com enxaqueca, principalmente com aura (alterações visuais), são mais suscetíveis a doenças cerebrovasculares, como acidente vascular cerebral (AVC), risco que aumenta mais de dez vezes se associado ao uso de pílula anticoncepcional e ao hábito de fumar.

 

Leia o texto completo: "Para entender e combater a dor", capa da edição de junho de 2015  Mente e Cérebro, que pode ser adquirida na Loja Segmento: http://bit.ly/1FqeWJ6

 

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