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Estrutura cerebral que permite empatia é disfuncional no autismo

O sistema límbico possibilita a compreensão do outro em um cérebro comum, mas sofre distorções em cérebros autistas

março de 2014
Imagem: Shutterstock
Do ponto de vista neurológico, os cérebros humanos em geral são “equipados” para permitir que seu feliz proprietário pense sobre si mesmo e sobre os outros – e assim crie formulações, prevendo intenções e consequentemente comportamentos de seus semelhantes. Essa compreensão oferece respaldo à capacidade de cooperar e aprender com o próximo. Em suma, possibilita a interação social. 

Para compreender melhor esse funcionamentos, a pesquisadora Rebecca Saxe desenvolveu um experimento delicado e interessante: desativou temporariamente a região da junção temporoparietal direita do cérebro de voluntários saudáveis mantendo um ímã sobre o crânio. Conscientes durante todo o experimento, eles realizaram testes nos quais deveriam considerar as crenças alheias ao fazer julgamentos morais. Nessas condições, encontraram inúmeras dificuldades de mudar o próprio ponto de vista e obtiveram péssimos resultados – embora anteriormente tivessem se saído muito melhor em questionários semelhantes. 

A maioria das pessoas autistas, no entanto, não compreende que cada um tem os próprios pensamentos e pontos de vista e um modo único de ser. Consequentemente, elas não entendem crenças, emoções e atitudes alheias. Para explicar alguns sintomas secundários do autismo – um quadro marcado pela hipersensibilidade, ausência de contato visual, aversão a determinados sons – tem sido usada, principalmente nos Estados Unidos, a hipótese da existência de um mapa topográfico emocional. Na criança sem o transtorno, as informações sensoriais são enviadas para a amígdala, a porta de entrada do sistema límbico, área responsável pelo processamento de emoções. Usando o conhecimento armazenado, a amígdala determina a resposta emocional que deve dar a cada estímulo que recebe e, com o tempo, cria vários significados emocionais do ambiente. Naqueles que sofrem do distúrbio do espectro autista, porém, as conexões entre amígdala e áreas sensoriais tendem a apresentar distorções, o que na prática resulta em reações emocionais extremadas a estímulos e fatos sem importância e descaso em relação ao que é fundamental para as outras pessoas.

 

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