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Estudo associa ingestão de álcool a tentativa de suicídio

março de 2008
NATIONALGALERIE, BERLIN
A ingestão de bebidas alcoólicas pode ser um fator de risco para pessoas com propensão a atentar contra a própria vida. É o que indicam os resultados de um estudo realizado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Durante um ano a equipe analisou registros de tentativas de suicídio atendidas em um pronto-socorro de Embu das Artes, na Grande São Paulo, e constatou que 21%, dos 80 casos examinados, ingeriram álcool até seis horas antes. O estudo também apontou o consumo de outras substâncias como maconha e cocaína em 7,5% dos casos. Segundo a psiquiatra da Unidade de Álcool e Drogas (Uniad) e coordenadora da pesquisa, Alessandra Diehl Reis, porém, os dados não significam que o álcool e as drogas sejam os únicos fatores que levam as pessoas a cometerem suicídio. “A maioria sofre de algum transtorno psiquiátrico, que geralmente pode ser tratado”, afirma. As substâncias apenas agravariam o problema. “Alguns estudos internacionais mostram que a dependência de álcool e/ou de drogas aumentaria o risco de suicídio em até 50%”.

A pesquisa também mostrou que 72% das pessoas que tentaram o suicídio eram mulheres; 17,5%, adolescentes e 33,75%, solteiros. Na maioria das tentativas (62,5%) as pessoas recorreram ao uso de medicamentos, outras 25% utilizaram algum tipo de veneno e 16%, drogas psicotrópicas.

Para a psiquiatra da Unifesp, existe um dado cultural que interfere na interpretação e no atendimento dos registros. Muitos profissionais da área da saúde ainda resistem em considerar a presença de alguma doença psiquiátrica. “Prevalece, na maioria das vezes, o sentimento de que o suicida recorre a esse gesto extremo simplesmente porque quer. Daí a importância de oferecer orientações para que possam reconhecer que efeitos da depressão, dos transtornos psicóticos e do uso abusivo de álcool e de drogas.”