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Estudo diz que fé religiosa diminui ansiedade e erros em teste cognitivo

março de 2009
© Duncan Walker/Istockphoto
A crença religiosa parece reduzir a ansiedade e stress, segundo estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, que encontrou diferenças no funcionamento do cérebro de crentes e não-crentes durante uma tarefa cognitiva complexa. Os pesquisadores aplicam o teste de Stroop em que os voluntários vêem nomes de cores (ex. azul, verde, amarelo) e tem de responder em que cor estas palavras escritas (porque o azul está grafado em verde, o verde em amarelo, por exemplo). O que se mede é o tempo de reação entre a apresentação do estímulo e a resposta correta. Enquanto eram submetidos ao teste, os participantes tiveram seu cérebro escaneado por ressonância magnética funcional.

Comparado aos não-crentes, os que haviam declarado sua fé tiveram menor ativação do córtex cingulado anterior, uma região do cérebro associada à atenção, principalmente em resposta a eventos geradores de ansiedade, como os que podem resultar em erros. Quanto mais intensa a fé religiosa do indivíduo – foi avaliada por escala subjetiva – menor a atividade dessa área cerebral e menor a quantidade de erros cometidos no teste de Stroop.

Segundo os autores, os resultados indicam que os crentes ficam menos ansiosos e estressados diante de possibilidade de cometer erros e, como conseqüência, erram menos. No entanto, os autores lembram que a ansiedade é uma “faca de dois gumes”. “Obviamente ela pode ser negativa se estiver muito alta, porque paralisa a pessoa”, diz Michael Inzlicht, que assina o artigo publicado na revista Psychological Science. “Mas algum grau de ansiedade é importante para nos alertar sobre nossos próprios erros. Do contrário, como poderíamos mudar e melhorar nosso desempenho?”, questiona o psicólogo canadense, sugerindo que mais estudos são necessários para se compreender a relação entre ansiedade e crença religiosa no cérebro humano.