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Estudo relaciona estereótipos de gênero a comportamentos de risco para câncer

Meninos que se consideram “mais viris” são mais propensos a fumar e garotas “muito femininas” praticam menos esportes

junho de 2014
Ideias socialmente construídas de masculinidade e feminilidade influenciam fortemente o comportamento. Agora, pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard apontam que jovens identificados com algumas noções midiáticas do que é ser homem ou mulher são mais propensos a adquirir comportamentos que aumentam a probabilidade de desenvolver câncer, segundo estudo publicado online no Journal of Adolescent Health.

Os cientistas analisaram informações sobre 9.435 adolescentes (6010 garotas e 3425 meninos), reunidas em um grande estudo longitudinal sobre fatores que afetam a saúde ao longo da vida, em andamento desde 1996. A pesquisa considerou participantes entre 9 e 14 anos que responderam perguntas sobre expressão de gênero (o quanto elas se descreviam como “femininas” e eles como “masculinos”) e sobre hábitos de risco relacionados à doença.

Os resultados mostraram que os garotos que se julgavam como “muito viris” (com base na autoimagem e brincadeiras da infância), eram aproximadamente 80% mais propensos a usar tabaco e 55% mais disponíveis para fumar charuto do que seus pares menos identificados com o imaginário social de masculinidade. Garotas que se acreditavam “mais femininas” se interessavam 32% mais por bronzeamento artificial e eram 16% menos dispostas a participar de atividades físicas do que meninas menos identificadas com essas ideias.

“Embora não haja nada de intrinsecamente masculino em fumar ou feminino em se bronzear, a indústria tenta nos convencer de que esses comportamentos são uma forma de expressar nossa identidade de gênero, o que pode, nesses casos, expor adolescentes ao maior risco de câncer”, diz a psicóloga Andrea Roberts, autora do estudo. Ela aponta que hábitos não saudáveis adquiridos nessa fase da vida têm grandes chances de ser mantidos na idade adulta. “É importante focar na prevenção, desafiando noções midiáticas de que algumas atitudes — associadas arbitrariamente ao gênero — possam nos fazer mais belos ou viris”, conclui.

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