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Há conexão entre cronotipos e comportamento sexual?

É maior o número de solteiros entre os vespertinos, que tendem a ter mais parceiras; horário biológico, porém, pode ser consequência de estilo de vida

junho de 2014
Elavalo/Shutterstock
Algumas pessoas são matutinas: sentem-se mais dispostas quando dormem e acordam cedo, desempenhando melhor suas tarefas pela manhã. Já as vespertinas preferem ir para a cama mais tarde e funcionam melhor do meio-dia em diante. Outras, ainda, não têm perfil definido. Agora, um artigo publicado na Evolutionary Psychology sugere que o cronotipo, isto é, o padrão pessoal de sono, pode estar relacionado ao comportamento sexual.

O psicobiólogo Dario Maestripieri, professor da Universidade de Chicago, analisou questionários respondidos por cerca de 200 estudantes, entre homens e mulheres, do curso de administração da instituição. Os jovens responderam a perguntas sobre quantidade diária de sono, qual horário preferiam dormir e acordar, se estavam namorando e quantos parceiros sexuais já tiveram. Os resultados revelaram mais solteiros entre homens e mulheres com perfil noturno. Além disso, os homens com esse cronotipo apresentavam, em média, um histórico com mais parceiras e com relacionamentos menos duradouros em comparação aos diurnos.

Os universitários estudados por Maestripieri haviam participado também de um estudo anterior, que relacionou os níveis de cortisol (o “hormônio do estresse”) em sua saliva e a disposição para correr riscos. O pesquisador observou, ao reunir dados dos dois estudos, que mulheres vespertinas tendiam a ter maiores níveis de cortisol e mais abertura para lidar com riscos, relação não significativa nos homens.

Mas, quanto à associação entre cronotipos e relacionamentos de curto prazo, não é de esperar que universitários solteiros tendam a ter uma vida noturna mais intensa? Horários biológicos são causa ou consequência desse estilo de vida? Maestripieri reconhece que a amostra do estudo é pequena e específica, sendo necessários mais estudos para responder com clareza a essas questões. O cientista sustenta, no entanto, que o horário biológico influenciou nosso comportamento sexual – algumas linhas teóricas da antropologia evolutiva sugerem que os padrões vespertinos de sono surgiram por causa de vantagens relacionadas ao acasalamento.

Nossos ancestrais eram sincronizados com a luz. Como as ameaças naturais diminuíram ao longo da evolução, as horas da noite podem ter se tornado tempo extra para socializar e fazer sexo, com os adultos livres da obrigação de caçar e coletar ou de cuidar das crianças. Aqueles que dormiam mais tarde aproveitavam a oportunidade, principalmente os que estavam solteiros ou traindo seus parceiros fixos.

Trabalhos anteriores sugerem predisposição genética de homens, que são maioria entre os vespertinos, para dormir mais tarde – predisposição que pode ter sido herdada de ancestrais notívagos, que transmitiram aos seus descendentes a “vantagem biológica” de dormir algumas horas mais tarde.

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