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Estudos buscam novas fontes de células-tronco, que podem reparar danos cerebrais

A terapia com células estaminais pode tratar doenças degenerativas, mas sua disponibilidade ainda não é suficiente

junho de 2014
Shutterstock
Nos últimos 25 anos, desde que os primeiros pacientes receberam transplante de células--tronco em um ensaio clínico no Hospital Universitário de Lund, na Suécia, os cientistas têm estudado maneiras de aplicar a terapia no tratamento de Parkinson. As células estaminais são matéria-prima biológica de enorme potencial porque podem gerar novas unidades, dando origem a células especializadas, graças à capacidade de se dividir indefinidamente. A partir daí, podem ser utilizadas para reparar danos cerebrais de doenças degenerativas, como Parkinson.

No entanto, é difícil obter essas células. Até agora, as estruturas transplantadas em humanos derivaram de tecidos de bebês abortados. Os cientistas também realizaram o procedimento em animais com produto retirado de embriões humanos. Delicadas questões políticas e éticas limitam o acesso em ambos os casos. Além disso, células fetais são escassas.

Um dos grandes é obter o material de forma viável e suficiente. Por enquanto, as células transplantadas são colhidas do mesencéfalo de fetos abortados entre seis e nove semanas. Essas unidades já se diferenciaram em neurônios dopaminérgicos, mas ainda mantêm a capacidade de gerar novos neurônios depois de enxertadas no cérebro. “No entanto, não são a resposta”, reconhece Mendez. Política à parte, nunca haverá o bastante para todos os pacientes que precisam.

Em 1998, o biólogo celular James A. Thomson e seus colegas da Universidade de Wiscosin-Madison apresentaram uma alternativa, selecionando a primeira linhagem de células-tronco embrionárias. Eles trabalharam com o blastocisto de um embrião humano, uma breve fase de desenvolvimento precoce quando o aglomerado de células (de 20 a 30) é capaz de se desenvolver em qualquer uma entre mais de 200 tipos. Diferentemente daquelas contidas no tecido fetal que iniciaram a diferenciação, as pluripotentes têm potencial para produzir qualquer conjunto celular.

A equipe de Thomson colheu e estimulou as células em laboratório para que se dividissem. O resultado foi uma fonte infinita e renovável mantida em ambiente controlado e sem a exigência de novos embriões. Ainda havia complicações éticas pelo uso original de material humano, mas nesse momento a terapia celular em larga escala parecia possível. O desafio era estimular as células-tronco embrionárias a se transformar em unidades específicas necessárias para tratar uma doença: neurônios dopaminérgicos para Parkinson ou células produtoras de insulina para diabetes, por exemplo.

No mesmo ano, o grupo de Isacson repetiu o experimento, mas com camundongos. Depois de injetar as células no cérebro dos ratos, observaram que continuavam vivas e formavam ligações com outros neurônios. Em 2002, o grupo demonstrou que o mesmo procedimento foi capaz de restaurar o movimento e a mobilidade de uma ratazana com uma versão de Parkinson induzida por drogas. Vários grupos de pesquisa apontaram resultados semelhantes com roedores. Imediatamente os cientistas tentaram criar neurônios de células estaminais embrionárias humanas – mas essa etapa foi mais difícil. “Foi um grande fracasso durante dez anos. Esperávamos que as células reagissem bem, o que não ocorreu”, diz o biólogo celular Lorenz Studer, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center.

Em 2007, uma abordagem alternativa trouxe grandes avanços, quando a equipe da bióloga Shinya Yamanaka, da Universidade de Kyoto, no Japão, descobriu como criar células-tronco a partir de tecidos da própria pessoa. Primeiramente, os pesquisadores “reprogramaram” bioquimicamente as células de um rato adulto, levando-as de volta a um estado semelhante ao de células-tronco embrionárias. A partir daí, poderiam ser usadas como base para a derivação de um tipo totalmente diferente, como um neurônio.

Em essência, a equipe de Shinya encontrou uma maneira de criar uma fonte ilimitada de células-tronco a partir de células adultas da pele, evitando, assim, as questões políticas e éticas que cercam a pesquisa com embriões. A descoberta rendeu à bióloga o Prêmio Nobel em Fisiologia ou Medicina de 2012. Além disso, se as células estaminais pluripotentes induzidas se originam no paciente em tratamento, o risco considerável de rejeição do sistema imunológico desaparece. “Resolveram um problema muito grande”, diz Mahendra Rao, diretor do Centro dos Institutos Nacionais de Saúde de Medicina Regenerativa.

Estudos de longo prazo em andamento com mais animais pretendem confirmar a segurança e eficácia do procedimento. Mendez e Isacson afirmam que células derivadas do próprio paciente são o futuro. Eles acreditam que poderão seguir com ensaios clínicos dentro de poucos anos.

 
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