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Estudos com oxitocina buscam medicamento contra o autismo

Conhecida como "hormônio da confiança", a oxitocina pode ajudar a ampliar interação social de autistas

abril de 2014
Shutterstock
Desde os anos 70, quando o psiquiatra Leo Kanner cunhou pela primeira vez o termo “autismo infantil precoce”, ainda não foi encontrada uma medida objetiva para identificar a origem desse quadro – uma molécula, um gene, a atividade elétrica de circuitos neurológicos ou uma diferença consistente no tamanho do cérebro. Nos Estados Unidos cerca de 800 mil pessoas com menos de 18 anos estão registradas como portadoras do transtorno. No Brasil, dados da revista Autismo sugerem que pode haver mais de 2 milhões de pessoas.

Cientistas tentam identificar indícios biológicos na esperança de facilitar o diagnóstico e o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes. Alguns medicamentos ajudam a controlar irritabilidade, humor oscilante e acessos de raiva que podem afligir a criança autista. Mas nenhum fármaco aprovado pela Food and Drug Administration (FDA, agência americana responsável pela regulação de alimentos e medicamentos) dá conta de sintomas mais básicos: linguagem, dificuldades de interação social e gestos repetitivos. 

Uma dessas linhas de pesquisa investiga o uso da oxitocina, hormônio que ganhou as manchetes na imprensa como o “hormônio do amor”. Nos últimos 25 anos especialistas descobriram que a oxitocina pode estar envolvida na promoção do vínculo entre a criança e a mãe e na consolidação da confiança entre amigos.

A esperança de que a oxitocina possa ajudar autistas vem da observação de que, quando a substância é administrada em dose única, por via intravenosa ou no interior das fossas nasais, a criança autista, que normalmente não consegue distinguir se uma pessoa que acabou de conhecer está sendo grosseira ou gentil, de repente detecta a diferença.

Estudos genéticos adicionam evidências do papel da oxitocina como sensibilizador social e que funciona, em especial, para autistas. Camundongos geneticamente modificados para inativar o gene CD38, envolvido na produção de oxitocina, mostram menos confiança e menos reconhecimento de outros animais. Além disso, pacientes autistas têm menos receptores de oxitocina – proteínas que se ligam à oxitocina e transmitem suas mensagens a células nervosas específicas – e, portanto, níveis mais baixos de oxitocina. 

National Institute of Health oferece atualmente US$ 12,6 milhões a cinco instituições para a realização de um ensaio sobre a oxitocina intranasal. Se a oxitocina receber validação poderá ser recomendada para facilitar respostas à psicoterapia. 
Você acaba de ler um trecho da matéria "Desafios do autismo", da Mente e Cérebro n. 255. Adquira sua revista aqui, na versão digital ou física, e leia essa e muitas outras matérias na íntegra.


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