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Expectativa influencia o paladar

março de 2006
Não são apenas as papilas gustativas que determinam o sabor dos alimentos. A expectativa também desempenha importante papel na maneira como o sabor é registrado no cérebro

O neurocientista Jack Nitschke e seus colegas da Universidade de Wisconsin reuniram 30 voluntários em idade universitária para verificar o efeito da expectativa na avaliação do gosto em humanos.

A equipe preparou cinco bebidas feitas de água e quantidades variáveis de quinino e açúcar, associando-as a cinco símbolos: alta concentração de quinino recebeu sinal de menos; baixa concentração de quinino, um sinal de menos riscado com "x"; água destilada, um zero; águas com baixa e alta concentrações de açúcar receberam marcação equivalente à daquelas com quinino, porém com sinal de mais. Após três rodadas do experimento, os estudantes fixaram as associações.

Para a rodada seguinte, os pesquisadores examiranam os cérebros dos voluntários com ressonância magnética funcional (fMRI). Trocaram, porém, os sinais das bebidas. O sinal de menos riscado - que correspondia à bebida com baixa concentração de quinino - precedia então a bebida mais amarga.

Quando os participantes viam o sinal que indicava a bebida menos amarga, embora estivessem experimentando a mais amarga, ativavam-se em seu cérebro as mesmas regiões que eram ativadas quando eles acreditavam que iriam tomar a bebida mais amarga, porém com menor intensidade. Eles também afirmaram que a bebida parecia menos amarga. A mesma influência da expectativa sobre o paladar ficou evidente quando os participantes receberam água com açúcar.

"Esses dados mostram que a resposta neural aos sabores, no córtex primário, é modulada por expectativas, e não apenas pela qualidade objetiva do sabor", escrevem os pesquisadores. Em outras palavras, ao menos em parte o sabor é fruto da imaginação.