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Exposição reflete o triunfo da arte sobre o sofrimento

Pinturas de internos de manicômio interditado em 2004 testemunham a força da criação, mesmo na adversidade

janeiro de 2009
DIVULGAÇÃO
Obras criadas por usuários de serviços de saúde mental reiteram a tese do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) sobre a arte como forma eficaz de expressão do inconsciente, e a criação artística como meio de organização subjetiva de experiências e emoções – produção visceral sempre surpreendente, mas que ganha tintas ainda mais fortes quando as condições em que vivem os sujeitos são desumanas ou degradantes.

Este é o caso das 41 pinturas expostas na mostra Singularidades, que acontece na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), sob curadoria dos psiquiatras Paulo Amarante, para coordenador do Projeto Loucos pela Diversidade, e Ricardo Aquino, diretor do Museu Bispo do Rosário. As obras, realizadas por internos da Colônia Dr. Eiras, de Paracambi, foram selecionadas entre as 248 que compõem o acervo, hoje sob comodato do Museu Bispo do Rosário. A instituição psiquiátrica, tida como uma das dez mais inadequadas do Brasil, em 2004, sofreu intervenção sanitária e foi condenada a fechar as portas.

A exposição é uma iniciativa do Laboratório de Pesquisas sobre Práticas de Integralidade em Saúde (Lappis/UERJ), em parceria com o Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea e o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (Laps/Fiocruz/ENSP), com o apoio da sub-reitoria de extensão e cultura, da UERJ. Segundo os curadores, a seleção das obras foi pautada pela qualidade artística, independentemente do estilo (figurativo ou abstrato) ou do movimento estético em que se inserem (realismo ou modernismo). A idéia é que o conjunto evidencie as distintas singularidades e sirva de testemunho da passagem dos sujeitos pela instituição manicomial. Mais do que isso, que ressalte o triunfo da arte sobre as estratégias de silenciamento, pautadas pela opressão, violência, desrespeito e pela exclusão política e social. Infelizmente, uma realidade ainda presente em muitas unidades psiquiátricas.