(Agência USP de Notícias) − Uma pesquisa conduzida no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP comprovou, utilizando tecidos post-mortem de cérebro humano, que determinados genes se expressam de maneira significativamente diferente em cérebros de esquizofrênicos. “Alguns dos genes já foram descritos como tendo algum envolvimento com esquizofrenia e outros são inéditos e têm seu papel associado à doença pela primeira vez em cérebro post-mortem humano”, esclarece Heloísa Müller Destro, autora do trabalho de mestrado do qual o estudo faz parte.
A comprovação de que há, de fato, determinadas divergências entre a expressão da base genética de um esquizofrênico e de uma pessoa saudável pode auxiliar no diagnóstico, no tratamento e mesmo no entendimento da esquizofrenia. A doença, que atinge cerca de 1% da população, tem origem complexa: pode ser ocasionada, por exemplo, por fatores genéticos combinados a fatores ambientais. “Existem várias hipóteses que explicam por que a esquizofrenia aparece. Existe a hipótese de que seria uma disfunção no sistema dopaminérgico, ou no neurodesenvolvimento, etc.”, afirma Heloísa. Só não se sabe exatamente, dentre tais possibilidades, qual a mais relevante ou a principal.
No trabalho Mapeamento da Expressão Gênica em Cérebros Post-Mortem de Pacientes Esquizofrênicos, optou-se, em linhas gerais, por analisar o que um paciente esquizofrênico tem – em relação aos genes – que uma pessoa normal não tem. Ou vice-versa. |