Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Expressar raiva pode fazer bem à saúde – mas depende do contexto

A crença de que manifestar raiva é prejudicial deve ser relativizada de acordo com a cultura

janeiro de 2015
Complot
Em nossa cultura, aprendemos desde cedo que expressar a raiva traz consequências pessoais e sociais indesejáveis. Alguns estudos relacionam essa emoção ao aumento considerável do risco de sofrer um ataque cardíaco e de derrame cerebral. Um novo artigo publicado na Psychological Science, porém, faz algumas ressalvas sobre a raiva: a expressão da ira pode estar associada com benefícios à saúde em algumas culturas, segundo estudo.

O psicólogo Shinobu Kitayama e seus colegas da Universidade de Michigan analisaram dados sobre o condicionamento físico e comportamentos relacionados à manifestação de raiva em voluntários americanos e japoneses entre 45 e 55 anos, que participaram de estudos nacionais longitudinais de saúde e bem-estar. Kitayama observou que, diferentemente de muitos países ocidentais, no Japão, mostrar esse sentimento pode ser um sinal de status social e privilégio, o que, nesse contexto, não parece prejudicar a saúde física – pelo contrário, parece contribuir para o bem-estar.

Segundo os pesquisadores, a crença de que manifestar raiva é prejudicial deve ser relativizada de acordo com a cultura. “A raiva em si não causa danos à saúde, mas as circunstâncias que a provocam”, acredita Kitayama. “Os resultados mostram que a relação entre raiva e prejuízos à saúde existe no contexto ocidental, no qual esse sentimento geralmente está relacionado à frustração, baixa posição social e a outros fatores que potencialmente comprometem a disposição física.” 

Leia mais

Louco de Raiva
A irritação e a raiva têm sua utilidade. Basta que a gente aprenda a lidar com elas.

Pequenos rebeldes
É comum que crianças pequenas façam birra; algumas, no entanto, são propensas a crises mais violentas. Em certos casos, o acompanhamento profissional pode ajudar a evitar a agressividade crônica