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Fernando e suas várias pessoas

Poeta foi capaz de inventar e se reinventar por meio de seus heterônimos

janeiro de 2011
ivan guerra/divulgação
Conhecido por sua capacidade de se reinventar por meio de seus heterônimos, Fernando Pessoa (1888-1935) é tema de exposição em São Paulo. Com curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenit, a mostra Fernando Pessoa, plural como o universo, em cartaz no Museu da Língua Portuguesa, apresenta a multiplicidade da obra de Pessoa e conduz o visitante a uma viagem sensorial pelo universo do poeta, fazendo-o ler, ver, sentir e ouvir a materialidade de suas palavras.


O público tem a oportunidade de conhecer – ou reconhecer – algumas das criações que se revelam nos versos assinados por seus heterônimos – com identidade própria e por “ele mesmo”. No primeiro ambiente o visitante pode entrar em seis cabines onde são projetados trechos de poemas assinados pelo próprio Pessoa e por seus “outros” heterônimos: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares. O passeio também leva a uma espécie de labirinto poético que mostra de forma lúdica trechos de poesias e imagens do poeta, como forma de retratar suas várias “personas”.


Em uma das salas, são projetados na parede dois vídeos que simulam duas janelas. O primeiro, produzido pelo documentarista Carlos Nader com roteiro do poeta Antônio Cícero, mostra pessoas em meio a uma multidão, recitando textos de Pessoa, e o segundo traz a imagem do mar, sempre em movimento, inspirada no filme Limite (1931), do cineasta Mario Peixoto. Ali, as palavras do poeta são projetadas como se estivessem sendo continuamente escritas na areia e apagadas pelas ondas. No último espaço é possível acompanhar a cronologia da vida e obra do poeta, por meio de imagens retiradas da sua recém-lançada fotobiografia produzida por Richard Zenith, um dos curadores da mostra.