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Ficamos mais crédulos com a idade

Idosos têm maior dificuldade em reconhecer expressões faciais suspeitas

junho de 2013
Diego Cerco/Shutterstock
Com frequência os noticiários divulgam casos de idosos que são enganados por pessoas que, fingindo precisar de ajuda ou usando outro pretexto, os roubam. O senso comum diz que pessoas mais velhas acreditam mais facilmente nos outros. De acordo com pesquisadores da Universidade da Califórnia, essa noção tem explicação neurobiológica: com o envelhecimento, há queda da atividade da ínsula anterior, região do cérebro responsável pelo reconhecimento de expressões faciais que podem indicar que uma pessoa é confiável ou que tem más intenções. 

A equipe liderada pela psicóloga Elizabeth Castle pediu a 119 voluntários com mais de 55 anos e a outros 24, também adultos, mas bem mais jovens, que observassem fotos de rostos que exibiam feições suspeitas, confiáveis e neutras (assim classificadas com base em estudos anteriores). Como esperado pelos pesquisadores, os mais velhos tiveram mais dificuldade em reconhecer faces suspeitas. Imagens do cérebro dos participantes registradas durante o experimento mostram que os idosos apresentaram menor atividade na ínsula anterior, uma pequena região do córtex (veja imagem), principalmente quando olharam para as feições “não confiáveis”. Além disso, a ínsula dos mais jovens também reagiu mais quando viram faces reconhecidamente confiáveis. Segundo Elizabeth, os resultados mostram que a ínsula anterior tem papel importante na confiança. A região pode ser a responsável pelas impressões positivas ou negativas que temos quando vemos uma pessoa pela primeira vez. “Essa habilidade pode, realmente, enfraquecer com o tempo”, diz.

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