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Figuras arquetípicas na casa dos deuses

Elementos concretos e simbólicos se fundem em releitura de templos do Camboja

julho de 2008
DIVULGAÇÃO
Bantaey Srei, 2006
Toda a riqueza do simbolismo que perpassa a morada dos deuses, antiga cidade de Angkor – no atual Camboja, hoje considerada patrimônio ancestral da humanidade –, é fonte de inspiração para Luiz Hermano na exposição Templo do Corpo, em cartaz em São Paulo. Nas 20 obras expostas, o premiado artista plástico presta uma homenagem aos enigmáticos templos espalhados pela região. As construções que remontam aos séculos IX e XIII fundem arte e religião no intento de glorificar os reis. Nesses edifícios, nada está disposto ao acaso, mas segue uma rígida ordem mágico-religiosa, associando elementos terrestres a forças cósmicas como forma de transformar monarcas em reencarnações de divindades, habitantes de palácios celestiais.

A riqueza de detalhes e a associação de elementos concretos e etéreos também estão presentes na releitura de Hermano. Suas obras, espécie de oferendas aos deuses, fundem peças e miniaturas do cotidiano a membranas, redes e tramas metálicas (algumas conectadas a capacitores). O resultado são imagens arquetípicas de seres intrigantes, simbólicos e atemporais.

Segundo o psicólogo suíço Carl Gustave Jung (1875-1961), o arquétipo é uma matriz simbólica arcaica, ou uma tendência humana para formar representações semelhantes de um tema, sem perder sua configuração original. Está na base do inconsciente coletivo, o estrato mais profundo da mente, em que os conteúdos são impessoais e comuns a todos, transmitidos pela hereditariedade. Assim, símbolos, mitos, histórias e experiências pessoais aproximam-se - e confundem-se - em favor da compreensão humana. “Essa é uma das razões porque todas as religiões empregam uma linguagem simbólica e se exprimem através de imagens”, ressalta Jung.