Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Fotógrafo registra o conteúdo de malas de doentes mentais

Material foi encontrado em um antigo centro psiquiátrico, desativado nos anos 90

maio de 2015
© Jon Crispin/ Todos os direitos reservados
Memórias reveladas: a proprietária identificada como Freda B. possivelmente foi enterrada como indigente no cemitério próximo ao hospital

Nos anos 90, o centro psiquiátrico da cidade de Willard, em Nova York, foi desativado. Encarregada de fazer um inventário do local, uma funcionária descobriu, amontoadas em um sótão, mais de 400 malas de ex-internos, que haviam ingressado no hospital entre os anos 1910 e 1960 e lá permaneceram até o fim da vida. Atualmente expostas no Museu Estadual de Nova York, as malas, com as histórias que carregam, inspiraram o projeto Willard suitcases (www.willardsuicases.com), do fotógrafo Jon Crispin, que está registrando o conteúdo das bagagens. “Eu olho para esses objetos e tenho uma ideia de como eram as pessoas que os usavam”, diz Crispin. Muitos dos proprietários foram enterrados em um cemitério próximo ao centro, sem identificação.

As malas contêm desde itens comuns, como fotos de parentes e roupas, até outros mais inusitados, como pistola de brinquedo, um uniforme militar completo, utensílios de prata, uma harpa e drogas injetáveis. Donos de várias delas já foram identificados, mas seus nomes completos não podem ser divulgados por determinação judicial. De acordo com Crispin, há especulações sobre as causas das internações, algumas bem controversas e impensáveis para os dias de hoje, como epilepsia, homossexualidade e a não superação da perda de um filho.

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de maio de 2015 de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/1DKrwmD

 

Leia mais:

Habitação para pessoas com sofrimento mental grave
Livro discute a questão com olhares de quatro áreas diferentes: arquitetura,
antropologia, psicanálise e saúde coletiva

O artista que fotografa pesadelos
Vítima de paralisia do sono, Nicolas Bruno recria em imagens surrealistas as
alucinações que sofre quando está acordado mas não consegue se mexer