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Freud analisa a figura de Moisés

A psicanalista Betty Bernardo Fucks descreve como o criador da psicanálise desconstrói a identidade do líder religioso

março de 2015
Divulgação

 

 

 

Um dos últimos textos publicados por Sigmund Freud em vida, O homem Moisés e a religião monoteísta, trata do antissemitismo. Pouco antes do início da Segunda Guerra, com o nazismo em plena ascensão na Alemanha, Freud questiona: “Como nasceu o judeu e por que atrai para si um ódio inextinguível?”. Assim, escreveu três ensaios sobre Moisés, o mais importante profeta do judaísmo, a quem Deus teria confiado mandamentos e leis para que ele transmitisse ao povo de Israel. No novo volume da coleção Para ler Freud, a psicanalista Betty Bernardo Fucks descreve como Freud, ele mesmo judeu, desconstrói a identidade do líder religioso nos dois primeiros textos: analisando as raízes do nome Moisés, propõe que ele teria origem egípcia e discute por que teria sido tratado como judeu nos mitos bíblicos. A autora aprofunda-se no terceiro ensaio, no qual Freud elabora psicanaliticamente as informações dos anteriores. Destaca a importância desses ensaios, não raro subestimados no estudo da psicanálise, por suas relações com as teorias freudianas sobre o processo de constituição da subjetividade.

 

O homem Moisés e a religião monoteísta – Três ensaios: o desvelar de um assassinato.
Betty B. Fucks. Civilização Brasileira, 2014.

210 págs. R$ 22,00.

 

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