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Gênero, diversidade e afeto

Luís Antônio-Gabriela, premiada peça de Nelson Baskerville, ganha adaptação para romance pela nVersos 

outubro de 2013
Divulgação
Luís Antônio-Gabriela. Nelson Baskerville. nVersos, 2012. 244 págs., R$55,00
“Quando você, caro leitor, adentrar esse livro, não tente ordená-lo. Para ser impregnado por esta história, permita-se ficar a vontade para não entendê-la”, anúncia o prefácio de Luís Antônio-Gabriela, que, com suas páginas marrons, tipografia variada e mistura de textos, ilustrações e fotos, intriga e surpreende. O conteúdo da obra, por sua vez, não desaponta. Escrito por Nelson Baskerville, o livro conta a história de seu irmão, Tônio, que deixou logo cedo a casa da família para não mais voltar. Reconhecido pelas pessoas como homossexual desde a infância, o menino cresceu entre surras dos pais e a hostilização da sociedade, que via em seu jeito feminino uma afronta. A obra, uma espécie de adaptação inversa da peça de mesmo nome montada por Baskerville, reconstitui os 30 anos entre a separação dos irmãos, durante o qual Tônio – ou Gabriela, como passou a ser conhecido – se tornou uma estrela na noite de Bilbao, na Espanha, e morreu só, em 2006.

Não por acaso, as próprias características físicas do livro – textura das páginas, corpos e cores das letras que saem dos padrões convencionais, ilustrações e diagramação – bem como o estilo de escrita, próximo a um desabafo, convidam o leitor à considerar as inusitadas possibilidades da diversidade. Em tempos de tão intensa discussão sobre gênero, “cura” gay, direitos civis, liberdade e expressão sexual, Luís Antônio-Gabriela traz um toque de afeto a uma questão delicada, evocando ao mesmo tempo a necessidade (às vezes incômoda) de se haver com as próprias limitações para se aproximar do outro de maneira mais verdadeira.

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