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Genes associados à homossexualidade podem colaborar com a fertilidade feminina

Estudo avalia relação entre o sucesso reprodutivo e orientação sexual

fevereiro de 2015
lassedesignen/Shutterstock

Fatores genéticos que influenciam a atração pelo mesmo sexo podem transmitir vantagem reprodutiva às mulheres, sugere estudo recente conduzido pelo neuropsicólogo Qazi Rahman, do King College London, em parceria com pesquisadores da Universidade de Zurique. A descoberta, segundo os cientistas, pode ajudar a explicar como características biológicas relacionadas à homossexualidade são transmitidas ao longo das gerações.

De acordo com os pesquisadores, genes que fazem algumas mulheres não heterossexuais podem ser os mesmos que aumentam o “sucesso de acasalamento” das heterossexuais. Esses genes comuns geralmente incrementam a "não conformidade” de gênero, o que torna as mulheres mais psicologicamente masculinas, com maior tendência a manter mais parceiros sexuais ao longo da vida.

Rahman e sua equipe selecionaram 996 gêmeas britânicas e pediram que respondessem a um questionário sobre atração sexual (direção do desejo), os interesses na infância (expressão de gênero) e o número de parceiros sexuais durante a vida. Depois, eles analisaram influências biológicas sobre essas características e encontraram evidências de que os genes são responsáveis por 30% da orientação sexual, 32% da variação em não conformidade de gênero e 50% pelo sucesso na reprodução. Os pesquisadores acreditam que haja uma sobreposição genética entre esses três aspectos.

“Observamos que as mulheres consideradas psicologicamente mais masculinas tendiam a ser lésbicas ou heterossexuais com maior número de parceiros”, diz Rahman. Os cientistas esclarecem que os mesmos genes associados à homossexualidade feminina nas mulheres heterossexuais aumentam as chances de sucesso reprodutivo ao reforçar a tendência de buscar diferentes companheiros sexuais durante a vida. “No passado, isso pode ter colaborado para o aumento da fertilidade, contrabalançando a falta de procriação entre pessoas do mesmo sexo”, conclui. Os resultados foram publicados no Journal of Sexual Medicine.