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Gestual e postura podem provocar avalanche de medo

maio de 2005
A linguagem, com toda sua complexidade, diferencia o homem do animal - pelo menos até as coisas ficarem realmente perigosas. Ao sinal de perigo ou risco, nós nos comunicamos menos com frases completas e muito mais com sinais corporais. Mas não é apenas a mímica dos assustados ou medrosos que nos induz ao medo. O gestual e a postura corporal, por exemplo, podem espalhar temor e susto descontrolada e rapidamente na multidão.

A prova foi fornecida por Beatrice de Gelder, da Faculdade de Medicina de Harvard. Por meio de um tomógrafo de ressonância magnética, ela acompanhou a atividade cerebral de pessoas enquanto assistiam a curtas seqüências de vídeo nas quais atores amadores faziam poses diversas com expressões neutras no rosto: as posições de pé ou de braços abertos não suscitaram nenhuma reação fora do comum nos observadores. Mas à visão de pessoas claramente encolhidas de susto ou agachadas, uma série de regiões do cérebro entrava em funcionamento: ao lado da amígdala, do sistema límbico, também as células nervosas do córtex pré-motor se ativaram. Ali estavam os neurônios responsáveis tanto pela simples visão quanto pela execução ativa de algumas reações. Assim, os pesquisadores consideraram os padrões de atividade cerebral como sinal de que as pessoas testadas já repetiam internamente as atitudes observadas.

O outro lado da medalha: os sinais de alarme transmitidos pela linguagem corporal não faziam parte da reflexão consciente - na verdade, eram difundidos como uma avalanche de medo. Assim, em uma multidão alarmada até o último fio de cabelo, muitas vezes um mínimo sinal pode desencadear pânico em massa.