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Golfinho usa esponja para proteger focinho

dezembro de 2005
Fêmeas na costa da Austrália protegem-se com esponjas marinhas para sair à procura de alimentos no fundo do mar. Habilidade é transmitida de geração em geração.

Não só humanos têm a capacidade de lançar mão de artefatos para sobreviver. Cientistas da Universidade de Zurique e da Universidade de Nova Gales do Sul descobriram que os golfinhos da espécie roaz (Tursiops truncatus) aperfeiçoaram o uso de ferramentas.

O grupo liderado pelo biólogo Michael Krützen dedicou vários anos de estudos de campo a 185 golfinhos roazes da Shark Bay, costa oeste da Austrália. Durante esse período, 22 fêmeas com um estranho costume despertaram interesse especial: elas protegiam seu focinho sensível com esponjas marinhas antes de sair à procura de alimentos no fundo do mar. Aparentemente, eles evitam com isso encontros dolorosos com pedras ou ouriços-do-mar.

A análise genética de amostras de tecido dos animais revelou que eles eram parte de um grupo com estreitos laços familiares: todas as "carregadoras de esponjas" descendiam de uma "senhora golfinho" morta poucas gerações antes. Essa bisavó, supõem os pesquisadores, utilizou uma esponja pela primeira vez como proteção e transmitiu tal habilidade exclusivamente a membros de sua família. A transmissão de uma tradição de uso de ferramentas era conhecida até então entre primatas, mas nunca havia sido observada em mamíferos marinhos.

Porém, apenas fêmeas utilizam a técnica inovadora da esponja. Krützen especula que aos golfinhos roazes machos falta o tempo para o culto a tais bens culturais elaborados devido às suas obrigações, como fazer a corte e procriar.