Mente Cérebro
Clique e assine Mente Cérebro
Notícias

Habilidade feminina para matemática

junho de 2009
©Diego Cervo /Shutterstock
Seriam as mulheres naturalmente menos hábeis que os homens para a matemática? O debate existe há vários anos e ganhou destaque em 2005 quando o então presidente da Universidade Harvard, Lawrence Summers – hoje assessor econômico do governo de Barack Obama –, comentou que a diferença entre os gêneros seria um dos motivos principais para explicar a escassez de professoras de matemática nas principais universidades americanas.

Nos últimos anos, vários cientistas têm sugerido que essa diferença teria raízes sócio-culturais em vez de biológicas. Agora, um novo estudo, publicado na prestigiada revista Proceedings of the National Academy of Sciences, confirma essa ideia. “Não se trata de uma diferença inerente entre homens e mulheres. Há países em que a disparidade entre os gêneros, com relação à performance em matemática, simplesmente não existe, tanto no nível médio como nos mais altos. Esses países tendem a ser os mesmos em que se verificam as maiores igualdades entre os gêneros”, disse Janet Mertz, professora da Universidade de Wisconsin-Madison, autora do estudo junto com Janet Hyde, da mesma instituição.

Após reunir dados de diversas fontes – exames estaduais, olimpíadas internacionais de matemática e o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), entre outros –, as cientistas documentaram um padrão de desempenho que aponta fortemente para fatores socioculturais como explicação para a disparidade. Verificou-se que esse padrão tem se alterado nas últimas décadas e que meninas em níveis mais básicos de ensino passaram a ter aproveitamento semelhante aos dos meninos em exames. No ensino médio, meninas estão tendo aulas de cálculo em taxas similares às dos meninos. Outro ponto é que a proporção de doutorados em ciências matemáticas para mulheres pulou de 5% na década de 1950 para 30% na atual.

As autoras questionam a validade da hipótese defendida por Summers de que os homens teriam uma variabilidade biológica maior em relação à habilidade matemática. Segundo elas, notas obtidas por meninas em alguns países e em alguns grupos étnicos nos Estados Unidos variam tanto como as dos meninos. “Se oferecermos às mulheres mais oportunidades educacionais e de trabalho em campos que exigem o conhecimento avançado da matemática, certamente passaremos a encontrar mais mulheres aprendendo e executando muito bem essa área do conhecimento”, disse Janet Mertz. (Com informações da Agência Fapesp)