(Agência USP de Notícias) –Habilidades individuais como iniciativa, talento e motivação, mais que escolaridade, idade ou gênero, são um importante fator que influi na diferença entre salários dentro de uma mesma região, setor econômico ou ocupação. Essa é uma das conclusões da tese de doutorado defendida pelo economista Ricardo Freguglia na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. O estudo também apontou as vantagens e desvantagens salariais da migração dentro do Brasil ao se contar com o fator das habilidades.
Freguglia explica que o trabalho surgiu da condição nacional da desigualdade de renda e da compreensão dos fatores que provocam “a elevada desigualdade salarial entre os estados”. As explicações até então existentes (nível de escolaridade, diferença de gênero, idade, setor de atividade, ocupação e a unidade da federação em si) não eram suficientes para explicar o fenômeno das desigualdades regionais de salário.
O que o economista propôs, portanto, foi incluir as características “não-mensuráveis” e calcular o impacto desses fatores nas diferenças salariais entre os estados, setores econômicos e ocupações. Dentre as habilidades individuais citadas por Freguglia, estão motivação, iniciativa própria e talento, que puderam ser “filtradas” na estimação dos diferenciais de salário por meio da econometria, que são métodos estatísticos e funções matemáticas aplicadas à economia. Essas habilidades individuais explicam 70% das diferenças salariais no âmbito regional (comparação entre regiões diferentes do país), 83% no contexto setorial (dentro de uma mesma atividade econômica) e 88% no ocupacional (em cargos ou funções semelhantes). |