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Diferenças entre estados
O economista afirma que “os trabalhadores, quando migram de estado, recebem salários melhores”, mas que essa afirmativa deixa de ser verdadeira quando “se filtra a habilidade”. Ele exemplifica com a migração de Minas Gerais para São Paulo, que só implica acréscimo de renda quando há o componente da habilidade individual; quando este fator é considerado na análise, a vantagem comparativa deixa de existir.
Freguglia também usa outros exemplos para mostrar o efeito da habilidade individual nos ganhos em diferentes estados. São Paulo e Distrito Federal são as unidades da federação que apresentam expressivos ganhos salariais decorrentes das habilidades individuais. Quando se inclui o fator habilidade como componente explicativo no cálculo dos diferenciais salariais, os outros fatores não sustentam o ganho salarial decorrente da migração. Em São Paulo, os diferenciais passam a ser negativos, em torno de -6,12%. “Isso pode estar relacionado com o elevado custo de vida do estado paulista, que gera perdas para os migrantes que vêm de outros estados”, afirma o pesquisador.
Em outros estados, a situação se inverte e o efeito da habilidade individual nos ganhos salariais é menos expressivo. “Tocantins é o estado que apresenta os maiores ganhos para os migrantes em relação aos não-migrantes, independentemente da habilidade do trabalhador (cerca de 44% do diferencial de ganho)”, explica Freguglia. Outras unidades da federação em que o fenômeno é semelhante e a habilidade não é o fator preponderante dos ganhos decorrentes da migração são os outros estados da Região Norte - com exceção do Acre e Amapá -, Mato Grosso, Pernambuco e Bahia. O Piauí é o estado que registrou a maior perda salarial, mesmo com o controle das habilidades individuais: cerca de -17%. |