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Histórias em quadrinhos revelam o perfil da mulher moderna

maio de 2009
Divulgação
Através de histórias em quadrinhos como as de Maitena – da argentina Maitena Burundarena –, de Radical Chic e de Aline, dos brasileiros Miguel Paiva e Adão Iturrusgarai, respectivamente, a lingüista Érika de Moraes, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), avaliou o perfil da mulher contemporânea, com seus conflitos, dilemas e novos papéis.

“É uma identidade marcada por crises e contradições. Há um conflito entre o prazer da independência, especialmente financeira, pois é essa que garante a liberdade em muitos outros aspectos, e o desejo de ter ao seu lado um homem que a proteja em determinadas ocasiões”, argumenta a autora, que defendeu recentemente sua tese de doutorado sobre o tema no Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.

Mesmo em meio a diversos avanços obtidos por movimentos feministas nas últimas décadas, a mulher atual se configura por meio de uma identidade em crise, segundo Érika. Ainda que estejam inseridas no mercado de trabalho e cursando ensino superior, elas sofrem conflitos entre ser “bem-sucedida” profissionalmente e administrar tarefas relacionadas ao lar, marido e filhos. Mas as evidências de conflitos evidenciados no estudo não implicam, necessariamente, conotações negativas, e sim um processo de transformação natural pela mudança de papéis. Nas representações dos cartunistas, leva-se a crer, inclusive, que estas características da mulher atual levam o homem a descobertas, que, em maior ou menor medida, passa a perceber que um filho pode dar muito mais trabalho que o escritório.
Segundo a pesquisadora, não há exatamente uma “troca de espaços”, mas um compartilhamento, pois a mulher vai se inserindo no ambiente público, especialmente por meio da profissão, enquanto o homem aumenta sua participação no ambiente privado. A representação discursiva nas tiras de Maitena mostra a mulher que, inconscientemente, tem dificuldades em abrir mão de seu papel de “administradora do lar”. Sofre com as imperfeições do seu corpo e, quando não atinge o ideal de beleza propagado pelos meios de comunicação, sente uma enorme frustração, que parece ser capaz de invalidar todas as outras conquistas.

Já a personagem Radical Chic, de Miguel Paiva, simboliza uma mulher na faixa de 30 que está no início de sua vida independente, não se casou, mas pensa no casamento. É urbana, vaidosa, independente, exigente e sonhadora. Às vezes, é apresentada como ingênua, mas esse pode ser um aspecto de sua esperteza. Por sua vez, a personagem de Adão Iturrusgarai, Aline, é uma jovem mulher que parece não se importar com padrões. Vive com dois namorados e possui uma relação sem compromisso, onde não há “contrato de fidelidade”, e busca-se, sobretudo, o prazer. “Aline representa o que muitas garotas vivem, não no plano real, mas no da fantasia, evidentemente, com uma carga de exagero típica do humor”, conclui a autora. (Com informações da Assessoria de Imprensa da Unicamp)